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Feiras literárias devem faturar R$ 100 milhões em 2012
21/08/2012

 

Por João Bernardo Caldeira | Valor.


RIO DE JANEIRO - Triplicou, nos últimos dez anos, o volume de investimentos realizados em feiras e festivais literários no país por meio da lei Rouanet, que chegou à R$ 11,6 milhões em 2011. A quantidade de iniciativas do gênero saltou de 40, em 2010, para 100, no ano seguinte, número que deverá ser dobrado em 2012. Calcula-se que 10 milhões de brasileiros frequentem este tipo de evento anualmente, movimentando mais de R$ 100 milhões. O levantamento foi feito pela Biblioteca Nacional, que avaliou o impacto do apoio que dará a 184 destas iniciativas, este ano, nos hábitos de leitura dos brasileiros e na cadeia produtiva do mercado editorial.


 


Apesar da recente chuva de críticas ao efetivo desempenho comercial e de público de feiras como a 22ª Bienal do Livro de São Paulo, que terminou no domingo (19), Galeno Amorim, presidente da Biblioteca Nacional desde janeiro de 2011, defende a relevância destes eventos: “Trata-se de uma vitrine extraordinária para atrair leitores e potencializar a prática da leitura entre os que já possuem o hábito”, resume.


 


Embora defenda o papel das feiras também nas capitais, pela vasta oferta de títulos de editoras de grande e pequeno porte inexistente em livrarias, Amorim destaca que o efeito é notadamente mais substancial no interior. Com a presença dos escritores, a repercussão de mídia e público é tamanha que o investimento municipal é estimulado, assim como a produção literária local e o surgimento de bibliotecas e livrarias.


 


Tradicionalmente pouco atrativo ao empresariado, o patrocínio a iniciativas literárias registrou crescimento devido à mudança de mentalidade e ao aumento da visibilidade do setor. “A sociedade civil, os governantes e o empresariado perceberam, na última década, que a prática da leitura possui forte impacto social”, analisa Amorim. Para defender os esforços do que seria uma nova postura do Ministério da Cultura (MinC), o gestor ressalta que houve ampliação no orçamento da pasta destinada à área, de R$ 6 milhões, em 2003, para R$ 373 milhões, este ano. Vinculada ao MinC, a Biblioteca Nacional passou a administrar, desde o início do ano, todas as ações do ministério voltadas para o setor.


 


Até porque ações isoladas e descoordenadas não seriam capazes de modificar os alarmantes índices de leitura do brasileiro, que lê em média quatro a sete livros por ano, um dos piores níveis do mundo segundo a Unesco, que colocou o Brasil na 47° posição entre 52 avaliados. Mais de 90 milhões de brasileiros afirmam que não possuem o hábito de ler. “É muito difícil comprar livros no Brasil, não apenas pelo preço, ainda muito alto, mas porque a distribuição é muito ruim”, analisa Felipe Lindoso, autor de “O Brasil Pode Ser Um País de Leitores? Política para a Cultura, Política para o livro”. “Em boa parte dos municípios, as bibliotecas públicas existem apenas nominalmente: defasadas em acervo e sem pessoal capacitado”, lamenta o autor. Amorim concorda: “É preciso investir em educação, combater o analfabetismo, equipar bibliotecas e formar mediadores de leitura”, enumera. “Mas são resultados demorados, para serem colhidos a longo prazo”, completa.


 


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