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Exportação cai e governo já desiste da meta
04/09/2012

 

Objetivo era crescer 3% neste ano; apesar do boom da soja, vendas devem igualar 2011

 

MAELI PRADO
DE BRASÍLIA

Com o aprofundamento da queda das exportações, reflexo do desaquecimento da demanda global, o governo já descarta a possibilidade de o país atingir a meta de crescimento de 3% das vendas externas neste ano.


O secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, afirmou ontem que, no máximo, o país conseguirá empatar o desempenho das exportações do ano passado, de US$ 256 bilhões.


"Mesmo isso é inalcançável", avaliou José Augusto de Castro, da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil). "Não acho que as vendas externas vão passar de US$ 236 bilhões neste ano, e ainda acho que o número vem abaixo disso", disse.


Segundo ele, o Brasil teria que exportar, em média, US$ 1,17 bilhão por dia para igualar as vendas de 2011, sendo que a maior média foi em maio, de US$ 1,05 bilhão.


"E esse foi um mês em que vivemos um boom de exportações de soja. Isso não ocorrerá daqui para a frente."


Se houver queda ante 2011, será a primeira desde 2009.


"Estamos em uma situação muito melhor do que na crise anterior, de 2008 e 2009, quando as exportações caíram 23%, para um patamar de US$ 150 bilhões", argumentou o secretário.


No mês passado, as vendas para outros países caíram 14,4% frente ao mesmo mês de 2011. Cerca de 45% dessa redução, segundo Teixeira, foi causada pela queda nas vendas de minério de ferro, cuja demanda está em baixa pela desaceleração da China.


Essa retração deve se intensificar. "Não haverá mais o impacto dos embarques de soja. Como o preço está muito bom, os exportadores anteciparam as vendas", avaliou Fernando Ribeiro, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).


As importações, afetadas pela paralisação da Receita e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), tiveram queda de 14% -o saldo comercial foi de US$ 3,2 bilhões, queda de 17% em relação a agosto de 2011.


"Isso vem ocorrendo em um momento em que as compras de outros países costumam crescer, porque a indústria se prepara para o final do ano", observa Castro. "A razão é a greve, que afeta mais a entrada de produtos do que a saída, e a própria redução da atividade econômica."


Fonte: Folha de S.Paulo/Mercado