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Catadores apostam em reciclagem de lixo eletrônico
17/09/2012

 

Profissionais aprendem a lidar com esse tipo de material para aumentar sua renda

 

VENCESLAU BORLINA FILHO
DO RIO

O catador de materiais recicláveis Douglas Moreira Pires da Silva, 33, passou a frequentar em agosto um curso na USP (Universidade de São Paulo) para certificá-lo como reciclador de computador e aparelho celular.


Ganhando em média R$ 450 por mês com a reciclagem de papel, papelão, plástico, ferro e sucata, espera aumentar sua renda para até R$ 800 com a nova atividade na cooperativa em que trabalha, na Grande São Paulo.


"Antes, a gente recebia um computador e vendia como sucata a R$ 0,30. Agora, a gente consegue até R$ 8 com um quilo de processador", disse Silva, que é casado, pai de dois filhos e mora com a mãe, também catadora.


Ainda sem uma definição oficial da responsabilidade sobre o lixo eletrônico, universidades de São Paulo e do Rio apostam nessa classe de trabalhadores para dar a correta destinação aos equipamentos que já estão sem uso.


Na USP, até agosto, 169 catadores de 60 cooperativas fizeram o curso (15 turmas) oferecido em parceria com a Petrobras. Na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o curso é dado por meio de uma incubadora tecnológica de cooperativas populares.


"Os catadores aprendem a lidar com o material eletrônico e conseguem se tornar referência para descarte correto e aumentar a renda", disse Walter Akio Goya, professor do curso na USP.


A lógica do curso é comum a todos os participantes. Acostumados a trabalhar apenas com papel, papelão, plástico, ferro e sucata, os catadores aprendem a separar as peças dos equipamentos e vendem por valor mais alto.


Uma tonelada de lixo eletrônico gera 350 kg de ferro, 170 kg de cobre, 150 kg de fibras e plásticos, 70 kg de alumínio e 25 kg de chumbo, e de 300 gramas a 1 quilo de prata, 300 gramas de ouro e de 30 a 70 gramas de platina.


Mãe de três filhos, a catadora Joana D´arc Cardoso, 28, disse que se surpreendeu com os riscos à saúde ao manusear um equipamento sem conhecimento. "Agora que sei, vou fazer o melhor trabalho e ganhar mais", disse.


Ela pertence a uma cooperativa da zona norte de São Paulo. Quando o trabalho estiver a todo vapor, espera receber até R$ 2.000 por mês.


Tesoureiro de uma cooperativa em São Paulo, Walison Borges da Silva, 27, fez o curso há 14 meses. A renda obtida com o trabalho é depositada numa poupança. No final do ano, eles dividem o recurso com os 24 cooperados.


"Os computadores vêm de empresas e da própria comunidade. Se recebemos mais, temos condições de aumentar a nossa renda", disse. Numa das vendas, os cooperados faturaram R$ 4.000.


Fonte: Folha de S.Paulo/Mercado