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Exposição evidencia como a arte se confunde com a fé
20/09/2012

 

Análise

BEATRIZ VICENTE DE AZEVEDO
ESPECIAL PARA A FOLHA

O que significa o fato de o Brasil receber tantas exposições internacionais, algumas inéditas na América Latina, como é o caso de "Esplendores do Vaticano"?


Estamos falando de peças de muita importância histórica, cultural, artística e museológica, que nunca haviam sido expostas fora dos muros do Vaticano.


A Oca abrirá suas portas para uma jornada pela fé e pela arte que ilustra a evolução da igreja, da época paleocristã aos dias atuais, com ênfase especial na arte e nos objetos históricos que refletem os eventos e os períodos mais significativos relacionados ao cristianismo.


Teremos acesso a um acervo relevante, que exibirá artigos pessoais de Michelangelo, obras de Guercino e fragmentos dos primeiros séculos da era cristã, todos de valor e raridade inestimáveis.


Mesmo que não vá a Roma, o público também poderá ter a sensação de estar lá, com o uso de recursos tecnológicos. A mostra conta com uma grande projeção das imagens dos afrescos pintados por Michelangelo. Por meio desses elementos, a Oca se transforma na Capela Sistina.


Além desses recursos virtuais, a exposição consegue deixar claro que, em alguns momentos, a arte e a fé se confundem. Um campo está sempre permeado pelo outro, não são esferas conflitantes, e sim complementares.


Na Oca, a mostra está dividida em 11 galerias temáticas, organizadas de acordo com um projeto pedagógico.


Dentre as galerias, aquela intitulada "Diálogo com o mundo de culturas cristãs e não cristãs" expõe objetos de várias partes do mundo, de significativa importância cultural, reunidos no Vaticano.


Enfatizando o diálogo entre fé e arte, essa galeria esclarece a relação do cristianismo com outras culturas. Um dos exemplos é o pergaminho de ouro chinês, do século 19, que pertence à Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma.


O molde da mão de João Paulo 2º, cuja beatificação ocorreu recentemente com grande afluxo de fieis ao Vaticano, e o brasão do papa Bento 16 são bastante representativos de como a história também se mistura à fé.


A pertinência da mostra na Oca não se restringe, portanto, a sua beleza e raridade. Diante de peças que remontam parte da história ocidental, a exposição nos faz refletir sobre a necessidade urgente de preservar os bens culturais da nossa sociedade.


BEATRIZ VICENTE DE AZEVEDO é diretora do Museu de Arte Sacra de São Paulo.


Fonte: Folha de SP/Ilustrada