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Minha Casa muda para atingir classe média
25/09/2012

 

Taxa máxima no banco deve cair de 8,16% para 7,16% ao ano para as famílias com renda de até R$ 5.400 mensais

 

Além de juros menores, governo Dilma deve ampliar faixas de renda e de financiamento do programa de habitação

TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA

O governo Dilma prepara mudanças para atualizar o foco do programa Minha Casa, Minha Vida, cujo limite de financiamento habitacional nas capitais chega a R$ 170 mil e pouco atende a classe média devido ao aumento nos preços dos imóveis.


Segundo o presidente da Caixa, Jorge Hereda, a proposta é reduzir os juros e aumentar os limites de renda familiar e o valor dos financiamentos do programa.


Hoje, somente famílias com renda de até R$ 5.400 mensais se enquadram no programa, que utiliza recursos do FGTS e tem juros máximos de 8,16% ao ano.


Para a faixa que ganha de R$ 3.101 a R$ 5.400, a nova taxa deve cair de 8,16% ao ano para 7,16%. O assunto vai ser debatido na reunião da próxima semana do conselho curador do FGTS.


O conselho também estuda redução dos juros para as famílias com renda entre R$ 1.600 e R$ 3.100, que hoje têm taxa de 6% ao ano.


Para as famílias com renda de até R$ 1.600, o governo compra o imóvel e subsidia até 95% do valor.


O conselho também pretende ampliar os valores dos imóveis financiados na cidades médias, hoje em R$ 130 mil. Setores no governo esperam ampliar inclusive o limite de R$ 170 mil, vigente em São Paulo, Rio e Brasília.


"O governo, através do Ministério das Cidades, está propondo reajuste tanto nos juros quanto nos limites", afirmou Hereda.


Na sexta, a Caixa anunciou uma injeção de R$ 13 bilhões do governo, sendo que R$ 3 bilhões serão destinados ao financiamento de material de construção para, entre outros, clientes ligados ao Minha Casa, Minha Vida.


Para João Crestana, ex-presidente do Secovi (sindicato da construção), as mudanças estudadas devem ampliar a participação da classe média urbana no programa.


"Está começando a ficar difícil utilizar o programa, porque a classe média subiu de patamar. Ou você retira a classe média, o que é uma temeridade, ou ajusta para que possa atender mais gente."


Fonte: Folha de S.Paulo/Mercado