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Bancos querem taxa extra de lojista para parcelar sem juro no cartão
26/09/2012

 

Medida acertada pelas grandes instituições deve ser aplicada gradativamente após o Natal

 

Lojistas preveem que acontecerá redução no número de parcelas das compras feitas sem juros pelo cartão

NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO

Os bancos encontraram uma saída para viabilizar a redução dos juros do cartão de crédito: cobrar uma taxa extra do estabelecimento comercial que vender produtos parcelados sem juros.


Pagará mais quem parcelar por um prazo maior.


A medida está sendo discutida por Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander com o governo federal.


A alternativa passou a ser discutida há dois meses, quando os bancos viram que não teriam como resistir às pressões contra os juros "escorchantes", nas palavras de Guido Mantega (Fazenda).


Hoje, o lojista oferece o financiamento ao cliente, recebe o valor da compra a prazo, mas quem arca com o risco da inadimplência é o banco, emissor do cartão.


Para os bancos, quanto maior o número de parcelas maior é o risco de calote.


Segundo Roque Pellizzaro, presidente da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), a medida vai estimular o varejista a encurtar o parcelamento. "Enquanto as taxas eram altas e assimiláveis, era fácil embutir no preço dos produtos. Agora, as margens são menores e teremos que rever."


A proposta de acabar com as compras parceladas sem juros não evoluiu porque, se fosse extinta, o comércio resgataria o cheque pré-datado.


A ideia é iniciar a cobrança, gradativamente, a partir do ano que vem para não comprometer o Natal. Ainda não há definição sobre como calcular esse risco que será dividido com os lojistas.


"Hoje, é o lojista que decide parcelar ou não, mas o risco não é dele. Ao mesmo tempo, ele sabe quanto vai custar. Temos uma precificação que não é equilibrada e a conta vai para quem paga a fatura do cartão no rotativo. E para o cliente que paga tudo à vista e tem um produto caro", disse Marcio Schettini, vice-presidente do Itaú.


A medida ainda reduz o comprometimento da renda das famílias. O parcelamento no cartão não entra no cálculo do nível de endividamento, mas consome uma parte importante da renda.


Fonte: Folha de S.Paulo/Mercado