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'Apaguinhos' se repetem e falhas acendem alerta no setor elétrico
5/10/2012

 

Operador Nacional do Sistema minimiza problemas que atingiram 12 Estados e a capital federal

 

Analistas temem que haja deficiências na estrutura e dizem que nova regra de licitação pode agravar defeitos

DENISE LUNA
DO RIO

Os sucessivos acidentes em subestações e linhas de transmissão do sistema elétrico preocupam especialistas.


Eles temem que os problemas aumentem com a renovação das concessões pelo governo, que prevê remuneração baixa para as concessionárias.


"As empresas só vão receber pelo custo de manutenção e isso pode comprometer a qualidade do serviço", afirmou o professor e coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, Nivalde de Castro.


Anteontem, um incêndio em uma subestação de Furnas, no Paraná, interrompeu por meia hora o fornecimento de energia em parte de 12 Estados. Ontem, uma falha em uma subestação da Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco) suspendeu o fornecimento de energia em Brasília por duas horas.


"Lamento os transtornos que essas interrupções causam. Passamos por dissabores, mas estamos tomando as medidas necessárias", disse o ministro Edison Lobão.


Para o presidente do ONS (Operador Nacional do Sistema), Hermes Chipp, as falhas poderiam ter acontecido em qualquer lugar do mundo.


"Chama de apaguinho, fica melhor", disse Chipp, explicando que o termo "apagão" é usado pela presidente Dilma Rousseff para se referir às panes e ao racionamento de energia ocorridos em 2001, no governo FHC.


Diferentemente do que aconteceu em 2001, quando faltou energia para ser distribuída, agora houve problemas nos equipamentos.


"Só não foi maior porque todas as térmicas do país estão ligadas. Poderia ser igual ao apagão de 2009", disse Adriano Pires, consultor do setor, referindo-se ao blecaute que deixou 18 Estados sem energia também por falha em equipamentos.


Por conta do baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas, o menor desde 2001, o ONS determinou a operação das térmicas.


Com JULIA BORBA, da Sucursal de Brasília


Fonte: Folha de S.Paulo/Mercado