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Butantan descobre aliado no combate ao câncer na saliva do carrapato
9/10/2012

 

A partir da glândula que produz a saliva, pesquisadores desenvolvem proteína que mata células tumorais

 

Sex, 05/10/12 - 17h44






Pesquisadores do Instituto Butantan descobriram uma proteína capaz de destruir células com tumores.


Um bicho pequeno, que pode até transmitir doenças, se torna esperança no combate ao câncer. Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, descobriram, a partir de estudos com a saliva do carrapato realizados por 10 anos, uma proteína que destroi células tumorais. Testes feitos em camundongos já comprovaram a eficação da molécula, desenvolvida a partir da glândula que produz a saliva. A expectativa, agora, é pelo sinal verde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar testes em humanos. Veja a seguir a entrevista com a pesquisadora e coordenadora do estudo, Ana Marisa Chudzinski:



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Como começaram os estudos com o carrapato?
A pesquisa começou olhando a saliva do carrapato, buscando um anticoagulante. Quando descobrimos o inibidor, vimos que não dava para trabalhar seriamente com a quantidade de saliva obtida. Fizemos uma análise dos genes expressos na glândula salivar do carrapato e concluímos que um desses clones poderia resultar numa proteína que poderia ter a atividade anticoagulante.



Quando apareceram os primeiros resultados contra células cancerígenas?
Resolvemos testar a proteína tanto em cultura de células normais quanto em cultura de células tumorais. E a surpresa foi muito grande, porque a proteína, visualmente, não fez nada nas células normais mas matou as células tumorais. Produzimos um tumor em animal, tratamos com a proteína e verificamos que o tumor regrediu. Os animais ficaram 180 dias no laboratório muito bem, sem rescidiva do tumor e sem indício que aquilo havia afetado qualquer coisa normal do animal.



Sobre quais tumores a proteína mostrou eficácia?
Testamos em algumas culturas de células humanas, melanoma, tumor de pâncreas, que não tem tratamento fora cirurgia, de mama e renal, esse em camundongos. Em todos a proteína funcionou. O maior número de resultados que a gente tem é em melanoma.



Existe previsão para o início de testes em humanos?
A Anvisa determinou novos testes em animais, são testes de segurança seguindo padrões internacionais. Se tudo der certo, entre 6 e 8 meses devemos ter os resultados para entregar à Anvisa, que deve analisar se está de acordo e suficiente para permitir testes em humanos.



O que essa descoberta representa para o Estado de São Paulo e o Brasil?
Um avanço, uma mudança de patamar. A descoberta em si é legal, agora, se chegarmos no produto representa uma mudança de patamar biotecnológico, porque o Brasil nunca desenvolveu um produto com essa característica. Prova que é possível a gente sair de uma descoberta num instituto do Governo do Estado de São Paulo, financiado por ele, e isso poder virar um medicamento. Se o Estado sair na frente com isso, ele sai por ele e leva o Brasil.



Do Portal do Governo do Estado