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Agência dobra desembolsos para micro e pequena em SP
15/10/2012

 

Cresce parcela das empresas de serviço entre as beneficiadas pela Desenvolve SP

 

Dificuldade de empresa de dar informação financeira detalhada impede aumento maior, diz executivo da agência


FILIPE OLIVEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


Pequenas e médias empresas do Estado de São Paulo têm utilizado mais financiamentos da Agência de Fomento Paulista, a Desenvolve SP.


A quantidade de recursos emprestados mais que dobrou em 2012 em comparação aos nove primeiros meses do ano passado.


Entre janeiro e setembro de 2011, haviam sido desembolsados R$ 149,6 milhões. Neste ano, a quantia está em R$ 323,7 milhões.


Além disso, o total de desembolsos da antiga Nossa Caixa Desenvolvimento (que mudou de nome em julho de 2012) alcançou R$ 810 milhões no mês passado. Já o número de empresas atendidas no período passou de 203 para 250, em um total de 193 municípios.


O setor industrial ainda é responsável pela maior parte dos financiamentos, porém a participação vem decrescendo. Em 2011, eram 63%, e agora são 55%.


A fatia da prestação de serviço subiu de 16% para 21%.


Desses, os que mais pediram empréstimos foram hotelaria, call center e empresas do ramo hospitalar.


DIVULGAÇÃO


Segundo avaliação do presidente da Desenvolve SP, Milton Luíz de Melo Santos, o crescimento do valor desembolsado está relacionado com o maior conhecimento da agência pelo público.


Para isso, a Desenvolve SP investe em anúncios em rádio e TV. Santos também destaca convênios firmados com mais de 60 entidades de classe, que auxiliam o empresário com interesse no crédito.


"É uma forma de compensarmos a falta de agências."


Sobre a conjuntura do mercado para os investimentos, Santos diz que a menor participação das indústrias se deve a uma dificuldade que elas têm para competir com produtos importados, especialmente da China.


Já o setor de serviços, para ele, tem crescido devido ao aumento de renda.


O que impede o empréstimo de ainda mais recursos, diz Santos, é a dificuldade de alguns empresários de dar informações detalhadas de balanço e planejamento.


"Não posso ir só na ideia. Muitas vezes a pessoa tem um projeto, mas esquece que só posso dar financiamento se tiver dados que mostrem que a empresa é confiável."


CRESCER JUNTO


A Metaxa, que trabalha com aluguel de equipamentos para obras, utilizou um empréstimo de cinco anos em 2009 para a compra de máquinas.


Reginaldo Santos, 55, diz que, como seu negócio é diferente do convencional, teve um tratamento especial do banco. "Vieram até aqui para entender o negócio."


Também é possível utilizar financiamentos para abrir uma franquia. Entre os primeiros a consegui-lo estão os sócios Marcel Moreira, 26, e Evanidio Oliveira, 45.


Um financiamento de R$ 200 mil com juros de 6% ao ano ajudou na compra do estoque e na reforma da loja de utensílios domésticos Casa&Coisa, que abriram em um shopping paulistano.


Moreira diz que houve demora para conseguir o financiamento (entre seis e sete meses). Atribui isso ao fato de a franquia ser nova, o que exigiu mais garantias, e à dificuldade que teve para entregar os documentos certos.


Eliane Morais, 45, sócia da Ativa Alimentação Empresarial, diz que, após investimento feito neste ano para a compra de equipamentos, como fornos para alimentação industrial, houve um aumento de 30% no faturamento.


"Como o prazo é longo e as taxas são baixas, os riscos são mínimos."


Fonte: Folha de S.Paulo/Mercado