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CFM veta hormônios contra envelhecimento
22/10/2012

 







LÍGIA FORMENTI / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo


O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou ontem um parecer condenando a prescrição de hormônios em tratamentos antienvelhecimento, por não haver evidências científicas de que a terapia seja eficiente.



Dentro de até dois meses, uma resolução proibindo médicos de recomendar o uso desses produtos deverá ser editada. "O Código de Ética já mostra que médicos não podem indicar terapias não comprovadas cientificamente. O que vamos fazer é deixar mais clara a proibição da indicação de hormônios", afirmou o vice-presidente do CFM, Carlos Vital.


Nos últimos quatro anos, cinco médicos foram cassados por indicar tratamentos sem comprovação científica. No mesmo período, outros dez profissionais foram condenados a penas de suspensão e censura pública.


Entre os hormônios indicados por médicos que atuam em clínicas de envelhecimento estão melatonina, cortisol, hormônio do crescimento, progesterona e testosterona. "Os trabalhos reunidos até o momento mostram que, em pessoas saudáveis, o uso dos hormônios aumenta o risco de uma série de doenças", afirmou a geriatra Maria do Carmo Lencastro, integrante da Câmara Técnica do CFM.


No caso do hormônio da tireoide, o uso em pessoas saudáveis pode levar ao hipertireoidismo. Já o hormônio de crescimento, quando em grandes quantidades no organismo, pode levar a problemas cardiovasculares.


Apoio. O diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Salo Buskman, elogiou o parecer. "Era preocupante o crescimento da indicação das terapias ditas antienvelhecimento", disse. Segundo ele, além de prometer algo que não há como ser alcançado, a interrupção do envelhecimento, a terapia aumenta o risco de efeitos colaterais e passa a ilusão de que o paciente está comprando saúde - o que o leva a deixar de adotar um estilo de vida saudável.


O professor da Universidade Federal da Bahia Elsimar Coutinho avalia que o CFM extrapolou suas competências. "O conselho é um órgão educativo, tem de fiscalizar a ética e não querer ensinar professores sobre o que indicar para pacientes", reagiu. O médico, conhecido pelo uso de hormônios para mulheres pararem de menstruar, afirma não fazer tratamento antienvelhecimento. "O que tem de ser feito é reposição hormonal. Hormônio nunca rejuvenesceu."


O parecer teve início após o médico Italo Rachid enviar para o colegiado um documento que reunia estudos comprovando a eficácia das terapias antienvelhecimento. Mas pouco mais de 1% dos trabalhos reunidos trazia estudos sobre a análise do envelhecimento e nenhum apontava benefício dos hormônios.


Fonte:Estadão.com.br/Saúde