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Estudioso: ascensão social deve garantir cidadania e não apenas consumo
25/10/2012

 

24/10/2012 - 12h55 Institucional - Atualizado em 24/10/2012 - 18h04


   


Laércio Franzon


Abrindo o segundo ciclo de debates do Fórum Senado Brasil 2012, na noite de terça-feira (23), o psicanalista Benilton Bezerra, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destacou o momento singular da história brasileira, com a ascensão de milhões de pessoas excluídas e invisíveis da convivência social à condição de cidadãos.


 


Em palestra sobre o tema “Identidade e vida subjetiva: como é ser sujeito no Brasil”, Benilton descreveu a subjetividade brasileira como caracterizada por "uma cultura que preza o indivíduo e prega a igualdade entre os cidadãos em uma realidade que abriga abismos sociais".


 


Segundo ele, conduzir a bom termo o processo de mudança, depois da exclusão centenária de grande parte da sociedade, é um dos maiores desafios que se apresentam no horizonte do país.


 


- Devemos cuidar para que essa ascensão de milhões de pessoas ao convívio dos demais implique não apenas a ascensão de uma nova classe de consumidores, mas também signifique a emergência de um novo contingente de atores políticos que exercitem a sua condição de cidadãos - disse.


 


Na opinião do psicanalista, o exercício da cidadania não se restringe a respeitar leis e lutar por direitos, sendo necessário ocupar "uma posição subjetiva muito especial” diante dos outros e do mundo.


 


- Essa possibilidade que temos hoje de fazer com que essa massa de pessoas ingresse em nossa convivência faz com que pensemos um passo adiante, em permitir que esse mundo de gente que agora nós ouvimos, e que o mercado tenta favorecer, possa também ser de cidadãos, pensando não só nos seus direitos individuais, mas também na transformação de uma sociedade que não produza outras formas de exclusão, outras formas de preconceito, outras formas de colocação em segundo plano — afirmou.


 


Reflexão


 


De acordo com Benilton Bezerra, a democracia deve ser pensada não apenas como um conjunto de regras que fazem os poderes funcionarem, mas antes como um processo impulsionado o tempo todo pela vontade de refletir sobre a vida das pessoas próximas e sobre aqueles que possam estar sendo excluídos ou prejudicados.


 


- Se a ascensão econômica dessas massas brasileiras vai se tranformar em democracia ou não vai depender de conseguirmos, no Brasil, criar um caldo de cultura, uma atmosfera coletiva de entusiasmo. Não só por ter geladeiras e carros novos, mas para pensarmos o Brasil como uma experiência diferente no mundo - observou o psicanalista, ressaltando que o Poder Legislativo precisa assumir a liderança no processo de inclusão social.


 


Fórum Senado Brasil


 


O Fórum Senado Brasil 2012 é promovido por comissão técnica criada pelo presidente José Sarney (PMDB-AP) para organizar debates sobre grandes temas da atualidade. Segundo o presidente da comissão, embaixador Jerônimo Moscardo, os debates visam avaliar a primeira década do século 21 e pensar o futuro.


 


O primeiro ciclo do fórum, realizado no primeiro semestre, abordou o tema "Democracia em tempos de mutações". Nesta segunda etapa, com o tema "Brasil, construção permanente", os conferencistas discutirão, entre outros assuntos, a identidade nacional; a responsabilidade do Brasil diante de um novo momento da história; e o processo de construção e degradação do país.


 


As inscrições para participar das palestras são gratuitas e podem ser feitas no site do fórum.


 


Agência Senado


(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)