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A revolução da longevidade
01/11/2012

 

 Estamos envelhecendo. Em 2050, o mundo terá cerca de 2 bilhões de idosos. Ou seja, 22% dos habitantes do planeta serão pessoas com mais de 60 anos, conforme projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Nessa altura, e pela primeira vez na história da humanidade, haverá


mais idosos do que crianças”, ressaltou o consultor do Governo do Estado no programa São Paulo Amigo do Idoso, Alexandre Kalache, em palestra da 5ª Jornada de Gerontologia, realizada na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACHUSP), a USP Leste.


O especialista em Saúde Pública considera que, em vista disso, o desafio do século 21 é fazer a revolução da longevidade.


“Temos de reinventar o curso da vida”, ressaltou. Na ocasião, ele apresentou o projeto Cidades Amigas das Pessoas Idosas Dentro do Marco do Envelhecimento Ativo da OMS, que visa a esse objetivo. Desenvolvido em 2005, durante a atuação de Kalache como diretor do Programa de Envelhecimento e Saúde da OMS, teve como base a constatação de que o envelhecimento da população e a urbanização são duas tendências globais, que têm ocorrido mais vertiginosamente nos países em desenvolvimento.


No Brasil, por exemplo, desde meados do século passado, a expectativa de vida aumentou em mais de 30 anos. Passou de 43 para 74 anos. Ao mesmo tempo, o número e a proporção dos habitantes das áreas urbanas também subiram, e continuarão ascendentes nas próximas décadas. A proposta da Cidade Amiga é a construção de um ambiente urbano de estímulo ao envelhecimento ativo, por meio da criação de condições de saúde, participação e segurança que reforçam a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem. “Hoje, o projeto se tornou um “movimento global que reúne centenas de cidades por todo o mundo”, define Kalache.


Mas o início se deu num bairro, que foi considerado exemplar: Copacabana. O reduto carioca, onde o próprio médico nasceu, é um dos locais com o menor índice de população jovem do mundo, enquanto nos anos 1950 era o oposto. Seus habitantes foram os primeiros ouvidos, num processo que abrangeu posteriormente 33 cidades, em todas as regiões da OMS. Foram formados grupos de pessoas de 60 anos ou mais, de rendimentos baixos e médios, para a identificação das características amigas dos idosos nas cidades de cada um e os problemas enfrentados.


Também foram ouvidos prestadores de cuidados e de serviços. A receita elaborada para uma vida social urbana na qual o idoso é protagonista, definida pela OMS como envelhecimento ativo, envolve o desenvolvimento de políticas que visam à consolidação de quatro pilares: proteção, educação, saúde e participação.


“Estamos vivendo uma nova transição de curso, como se deu com as gerações de 1946 a 1964, os Baby Boomers”, exemplificou o médico, referindo-se à explosão populacional ocorrida no


pós-guerra e à mudança de costumes vinculada a ela.


A reinvenção do curso da vida, segundo ele, é a mudança de paradigma, que leva as pessoas a planejar uma velhice ativa e contar com as condições necessárias para isso. “Nós estamos escrevendo essa história”, finalizou.


Simone de Marco


Da Agência Imprensa Oficial


 


Fonte: Diário Oficial do Estado/Poder Executivo, 31/10/2012, p. III