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Livro apresenta a história da joalheira e artista Miriam Mamber
08/11/2012

 

A designer paranaense lança a obra nesta quinta-feira, 08, na Livraria Cultura, em São Paulo

 

08 de novembro de 2012 | 2h 10


FLAVIA GUERRA - O Estado de S.Paulo


DivulgaçãoI magem do livro 'Miriam Mamber'Uma casca de ervilha que vira uma concha. Uma ervilha que vira uma pérola. Um fungo que vira uma joia... Um café que vira uma pedra. Pelo olhar sempre atento e delicado de Miriam Mamber o mundo se torna mais precioso. E por preciosidade entenda-se muito mais que pedras e matérias-primas caras. O universo lúdico e criativo da joalheira e artista é o que faz com que suas peças sejam sempre tão ou mais raras quanto os lendários diamantes. "Não é preciso ostentar nem usar algo que custe milhões. Às vezes, uma semente é também bonita e preciosa. O importante é o valor agregado de tudo. Uso de tudo. De café a fibras, de folhas a fósseis. Gosto de fazer exatamente esta brincadeira com as coisas", conta a designer, que lança nesta quinta-feira, 08, Miriam Mamber (Editora BEI, 240 págs., R$ 160), às 19 horas, na Livraria Cultura (Av. Paulista, 2.073).


Livro que leva não só seu nome, mas também carrega sua história, tem comentário do arquiteto Paulo Mendes da Rocha e textos de Miriam Korolkovas, Maria Cecília Loschiavo dos Santos e Lilia Moritz Schwarcz.


Ao trazer também imagens de dezenas de trabalhos, reconta as quase cinco décadas de carreira da paranaense que cresceu às voltas com o mundo de coisas e objetos que encontrava no armazém de seus pais no interior do Paraná. "Quando comecei a andar, já estava catando conchas. Vivia com o balde. Sempre fui explorando o mundo no 'cherômetro', de forma muito intuitiva. Hoje tenho formação em arqueologia, história, arte, mas esta 'fuçação' faz parte do meu universo. Até hoje faço isso. Sou uma peregrina do planeta, uma formiguinha carregadeira. Por isso que eu adoro também criar peças com formigas", conta ela, que é reconhecida internacionalmente e recebeu prêmios em diversos países por obras como Ervilha, de 2000, premiada no Taiti. "Assim como posso viajar para me inspirar, posso também catar algo no meu jardim e transformar. Pode surgir de algo muito simples, como ervilhas. Foi o caso desta obra. Há o jogo da ervilha em sua casca e da pérola em seu casulo", comenta a joalheira, cujo olhar precioso também rendeu prêmio à obra Sertão.


O que poderia ser somente uma pulseira que une capim dourado, pérolas negras e ouro, agrega símbolos, movimento e une diferentes culturas. "Comprei esta pulseira no Guarujá, acredita? E uni o brasileiríssimo capim dourado com a pérola, algo vivo, cuja história tem tudo a ver com o mar. Somei o ouro e dei mobilidade (as pérolas se movimentam). Algo banal se tornou precioso."


Este é também o caso da Carambola. "Disse para o meu ourives: 'Sabe como é uma carambola? Vá à feira e veja", relembra ela sobre a peça de ouro de 2005. "Todos têm poder de transformar objetos e usar a criatividade. Quero desenvolver um projeto de formação de artistas, para aproveitar o artesanato brasileiro de forma mais criativa e sofisticada."


Fonte: Estadão.com.br/Literatura