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Senado aprova redução no valor de taxas para remarcação de voo
15/11/2012

 

Empresa só poderia descontar, no máximo, 10% do total pago

 

GABRIELA GUERREIRO DE BRASÍLIA

O Senado aprovou ontem projeto que reduz o valor das taxas cobradas pelas companhias aéreas para o cancelamento ou a remarcação de passagens.


O texto determina que, nos casos de reembolso do cliente após cancelamento ou remarcação, seja descontada uma taxa máxima de 10% do valor pago, desde que observada a validade do bilhete aéreo -que é de um ano, contado a partir da emissão.


O projeto altera o Código Brasileiro de Aeronáutica ao determinar que o valor de 10% seja cobrado "independentemente do tipo de tarifa" adquirida pelo passageiro. Também estabelece que a nova regra se aplique aos casos de remarcação de voos.


Autora do projeto, a senadora Ana Amélia (PP-RS) afirma que as companhias aéreas cobram multas "abusivas" pela remarcação ou reembolso do bilhete mesmo nos casos em que ele está na validade de um ano.


A senadora diz que, segundo regulamento da Aeronáutica, o valor de 10% só se aplicaria às passagens compradas em tarifas promocionais.


"Trata-se, portanto, de estender a norma atualmente em vigor a todos os bilhetes aéreos, independentemente de terem sido ou não adquiridos no âmbito de promoções tarifárias."


ABUSOS


Relator do projeto, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) afirma que a cobrança da taxa de 10%, além de assegurar a cobertura de custos administrativos das companhias aéreas, "previne o cometimento de abusos por parte das operadoras do transporte aéreo".


Em agosto, a Justiça Federal estipulou multa de R$ 100 mil às companhias aéreas que cobram mais de 10% do valor da passagem em casos de remarcação ou cancelamento. A decisão atingiu as empresas TAM, Gol, Cruiser, TAF e Total, em todo o país.


As cinco companhias foram condenadas em 2011 a limitar as tarifas. Se o consumidor fizer a mudança até 15 dias antes da viagem, o valor deveria cair para 5%.


Em abril, a Folha mostrou que a TAM e a Gol descumpriam a decisão judicial. A reportagem ouviu queixas de passageiros e constatou nos sites das empresas taxas de até 60% para remarcação. Na época, TAM e Gol disseram que só se manifestariam nos autos do processo.


Como o projeto foi aprovado de forma terminativa pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, segue para votação na Câmara se não houver recurso para ser analisado em plenário.


A Abear, associação que representa as companhias aéreas, não quis se pronunciar.


Fonte: Folha de S.Paulo/Cotidiano