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Livro conta a trajetória de Tom Jobim a partir das histórias de suas composições
04/12/2012

 




03/12/2012 - 17h39



  



LUCAS NOBILE -  COLABORAÇÃO PARA
A FOLHA



 



Quase 18 anos após a morte de Tom Jobim --completos no próximo dia 8--,
a impressão que se tem é que o assunto em torno de vida e obra de um dos
maiores compositores brasileiros de todos os tempos já se esgotou.



 



Sempre que se fala do "maestro soberano", as histórias se
repetem.



 



O areal que era a Ipanema onde Jobim cresceu. O telefonema recebido no
bar Veloso, também em Ipanema, vindo dos Estados Unidos com o convite para
gravar um disco com Frank Sinatra. Os "panos quentes" para lidar com
as manias de João Gilberto nas gravações do LP "Chega de Saudade"
(1959).



 



Além da concepção de obras antológicas em parceria com Vinicius de
Moraes, como "Orfeu da Conceição", "A Sinfonia do Rio de
Janeiro" e "Canção do Amor Demais". A vaia recebida com Chico
Buarque ao defender "Sabiá" no Maracananzinho lotado. Até o
nascimento de Jobim, cujo parto foi realizado pelo mesmo médico que trouxe Noel
Rosa (1910-1937) ao mundo.



 



Nesta terça-feira (4), a partir das 18h30, Wagner Homem e Luiz Roberto
Oliveira lançam o livro "Tom Jobim - Histórias de Canções" (ed.
Leya), revelando que nem tudo já se falou sobre o compositor.



 



No livro, os autores traçam um panorama histórico e analítico sobre a
obra do "biografado" a partir das composições do músico, seguindo o
mesmo formato dos projetos anteriores de Wagner Homem, sobre Chico Buarque e
Toquinho.



 



Em relação ao volume jobiniano, de fato não são muitas as novidades.
Difícil escapar de um assunto que já fora tão esmiuçado em livros caudalosos de
Ruy Castro, Sérgio Cabral, Ana Jobim, entre outros autores.



 



"O mérito do livro é a organização, simples e direta", diz
Wagner Homem sobre a obra que levou dois anos para ficar pronta. "Assim
que terminei o do Chico, queria fazer o do Tom, mas levou um tempo para fazer
as negociações sobre direitos autorais. E acabei lançando o do Toquinho",
completa o autor.



 



Divulgação



 "Histórias de Canções - Tom
Jobim", de Wagner Homem e Luiz Roberto Oliveira



 



NOVIDADES JOBINIANAS



 



Outro mérito do livro de Wagner Homem e Luiz Roberto Oliveira é o fato
de os autores não terem se limitado a pesquisas bibliográficas, mas também
terem realizado entrevistas com viúvas de Jobim e músicos que conviveram com
ele, como Roberto Menescal, Carlos Lyra, entre outros.



 



"Convidei o Luiz para fazer o livro comigo para que ele me ajudasse
no aspecto musical. Além, claro, de ele ter convivido com o Tom, o que não
aconteceu comigo", diz Wagner, que encontrou um pouco mais de facilidade
em tocar o projeto sobre Chico Buarque, com quem ele teve contato, além de ter
desenvolvido o site de Chico em 1998.



 



Entre as novidades mais interessantes do livro está o desmentido do
"mito" sobre a ligação que Jobim recebera de Sinatra no fim da década
de 1960, no bar Veloso. "Sempre tem muito folclore sobre essas histórias.
As pessoas ouvem várias versões e decidem que uma delas é a correta.
Encontramos um documento no Instituto Tom Jobim, por exemplo, que dizia que as
negociações com o Sinatra já aconteciam desde 1964", diz o autor.



 



Outra passagem do livro joga luz sobre a composição "Tereza da Praia"
(Jobim e Billy Blanco), que teria deixado Thereza, esposa de Tom na época,
desgostosa com a repercussão pelo fato de a mulher retratada na canção não ser,
digamos, uma moça de família. Além desta, os autores de "Tom Jobim -
Histórias de Canções" analisam composições e suas versões.



 



O caso mais destacado é o de "Corcovado", que ganhou primeira
versão em inglês feita por Buddy Kaye (o mesmo que fez versos estrangeiros para
"O Barquinho", de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal), mas que
terminou com a versão definitiva de Gene Lees.



 



Destaque também para os álbuns de cantoras que gravaram a obra de Jobim
no início da carreira do compositor. Neste sentido, o livro apresenta álbuns
menos comentados, como "Por Toda Minha Vida" (1959), de Lenita Bruno,
com arranjos de Leo Peracchi, e "Amor de Gente Moça" (1959), de
Sylvia Telles.



 



Sobre os próximos projetos, Wagner Homem adianta. "Queria fazer o
da Rita Lee, mas ainda não consegui contato com ela".



 



TOM JOBIM - HISTÓRIAS DE CANÇÕES



 AUTORES Wagner Homem e Luiz
Roberto Oliveira



 EDITORA Leya



 QUANTO R$ 44,90, em média



 LANÇAMENTO nesta terça (4), a
partir das 18h30 (grátis), na Livraria Cultura - Conjunto Nacional (av.
Paulista, 2.073; tel. 0/xx/11/3170-4033)



 



Fonte: Folha de SP/Livros