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Sobe parcela de pequenas em verba de agência de SP
10/12/2012

 

Participação chega a 18%; no total, desembolsos crescem 73% em 2012

 

Maior parte do crédito da Desenvolve SP, que está em seu quarto ano, foi destinada a investimentos

FILIPE OLIVEIRA COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Em seu quarto ano de atuação, a agência de desenvolvimento paulista Desenvolve SP registrou o maior volume de empréstimos concedidos para as pequenas e as médias empresas.


O volume de desembolsos no ano, de R$ 409,4 milhões, superou em 73% o resultado de 2011, quando R$ 237,3 milhões foram financiados.


O crédito para investimentos foi responsável pelo crescimento. Em 2012, foram 80% do total, enquanto 20% tiveram como objetivo suprir necessidade de capital de giro.


Para o presidente da agência, Milton Luís de Melo Santos, o novo perfil da carteira de empréstimos se ajusta ao papel da instituição:


"Defendemos o financiamento para o investimento produtivo. É fundamental que tenhamos financiamento de longo prazo e com taxas competitivas para que as empresas possam investir em projetos para a melhoria da produtividade".


Apesar de as empresas de médio porte serem as que mais tiveram acesso ao crédito, houve crescimento relativo das pequenas empresas, que passaram a responder por 18% do total de recursos financiados.


CONHECIMENTO


Para Santos, o perfil da agência vem mudando conforme fica mais conhecida pelo público. Em sua avaliação, ainda há espaço para crescer entre as pequenas empresas.


Segundo ele, em geral pequenas empresas têm mais dificuldade de conseguir crédito em boas condições. Em muitos casos, conseguem financiamento no banco em que têm conta e realizam movimentações.


Porém, diz Santos, por nem sempre terem suas contas e projetos organizados, muitas pequenas empresas ainda não conseguem as melhores condições de taxas e prazos.


Para chegar aos resultados do ano, a Desenvolve SP reduziu suas taxas de juros para projetos de investimento em um ponto percentual.


Também criou linhas de crédito para áreas que devem crescer nos próximos anos, como uma exclusiva para projetos relacionados à Copa do Mundo de 2014.


Com perspectivas de dar resultados em 2013, foi lançado em agosto o Programa São Paulo Inova, com projetos para incentivar a inovação no Estado.


Uma das frentes do programa é a criação de linhas de crédito especiais, que podem ter juro zero, para empresas que realizam inovação de base tecnológica.


Também está sendo constituído um fundo de investimento em empresas inovadoras, com capital de R$ 100 milhões e parceria com o Sebrae-SP, a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).


PLANO COERENTE


A Disoft, empresa da área de TI, conseguiu ampliar seu faturamento em 25% após financiar R$ 1,7 milhão no ano passado, de acordo com Alexandre Corigliano, 44, sócio responsável pelo desenvolvimento de novos negócios.


Atuando principalmente na área de telecomunicações, a Disoft começou a investir em 2010 em softwares de gestão empresarial.


Ele aponta o rigor da agência para a concessão do financiamento:


"Seu plano de investimento tem que estar coerente, porque você terá alguém de fora fazendo avaliação".


César Augusto Pereira, 38, trabalhava na área de controladoria de uma empresa. Sentiu que o momento da economia era bom para abrir seu negócio e procurou um financiamento em setembro do ano passado.


Com o financiamento de R$ 180 mil que conseguiu em janeiro deste ano em uma linha de crédito especial para franquias, conseguiu abrir uma lavanderia em São Paulo com um sócio.


Com 60 meses de prazo para pagar o financiamento, Pereira se diz satisfeito com o resultado. "Está do jeito que eu esperava."


Fonte: Folha de S.Paulo/Mercado