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Militares põem em livro versão sobre repressão
17/01/2013

 

‘Resposta’ à Comissão da Verdade, publicação volta às livrarias com 2 mil exemplares

 





16 de janeiro de 2013 | 23h 00



José Maria Mayrink - O Estado de S. Paulo



SÃO PAULO - Vendido em apenas quatro livrarias, mas lançado
em clubes e círculos militares de 14 cidades, Orvil - Tentativas de Tomada do
Poder, versão de oficiais do Centro de Informações do Exército (CIE) sobre a
repressão, volta às prateleiras até o fim do mês com uma tiragem de mais dois
mil exemplares. As três primeiras remessas, de mil exemplares cada uma,
esgotaram-se em três meses. O livro é assinado pelo tenente-coronel reformado
Lício Augusto Maciel e pelo tenente reformado José Conegundes Nascimento, que
trabalharam sob a coordenação do general Agnaldo Del Nero Augusto, falecido em
2009. Outros oficiais que participaram do projeto não quiseram que seus nomes
aparecessem.



 



Disponível pela internet no site da mulher do coronel
reformado Carlos Alberto Ustra, que chefiou o DOI- Codi (órgão de informação e
repressão do Exército, em São Paulo) e assina a apresentação, o texto original
do Projeto Orvil ficou pronto em 1987, mas o então ministro do Exército,
general Leônidas Pires Gonçalves, que havia autorizado o levantamento, não
permitiu que fosse publicado. A iniciativa CIE pretendia ser uma resposta ao
livro Brasil: Nunca Mais, de denúncias de prisões, torturas e assassinatos
durante o regime militar, escrito por uma equipe ligada ao cardeal d. Paulo
Evaristo Arns.



 



A publicação de Orvil (Editora Schoba, R$ 72,90), segundo o
general reformado Geraldo Luiz Nery da Silva, autor do prefácio, é uma reação à
criação da Comissão Nacional da Verdade. "Releva enfatizar neste
prólogo", escreve o general, "que os revanchistas da esquerda que
estão no poder -- não satisfeitos com as graves restrições de recursos impostas
às Forças Armadas e com o tratamento discriminatório dados aos militares sob
todos os aspectos, especialmente o financeiro - tiveram a petulância de criar,
com o conluio de um inexpressivo Congresso, o que ousaram chamar de comissão da
verdade".



 



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Estadão.com.br/Política