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A biblioteca 100% virtual vem aí
04/03/2013

 

Acervo público totalmente digital está prestes a se tornar realidade nos Estados Unidos. No Brasil, desafio é formar novos leitores

 





Domingo, 03/03/2013


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Tecnologia

 



Publicado em 03/03/2013 | Diego Antonelli
O condado de Bexar, no Texas, promete abrir ainda este ano uma das
primeiras bibliotecas públicas dos Estados Unidos com conteúdo 100% virtual.
Trata-se de uma revolução daquilo que conhecemos hoje como “biblioteca”. No
espaço, as pessoas poderão acessar livros e fazer o download em seus próprios
equipamentos (como tablets) ou pegar emprestado esses aparelhos eletrônicos. Não
sobrará sequer uma página em papel para contar história.

A promessa é de que o espaço abrigue 10 mil títulos e 150 sistema
eletrônicos para os usuários consultarem. A biblioteca contará com 25 laptops e
25 tablets para uso interno, além de 50 computadores. O custo do empreendimento
é de US$ 1,5 milhão.


Sem receita

Para o diretor da Bi­blio­teca Pública do Paraná, Rogério Pereira, a
principal questão é encontrar formas de atrair novos leitores. “Não há uma
receita de como fazer isso. Depende muito da família e dos professores. O
problema é a formação de leitores, não importa em qual plataforma”, salienta.

Marta diz que o livro virtual atrai pela novidade, mas não terá como
consequência lógica o aumento de leitores.

“Para parecer moderninho, atualizado, o leitor pode até ler mais em
tablets. Acho que o aparelho que pode permitir a leitura do livro virtual tem
sido mais atraente do que o próprio livro. Ter 300 livros ou mais, dependendo do
desregramento do consumidor – significa que seu proprietário leu todos?”,
indaga.

Acesso

Para o editor e consultor de políticas públicas para leitura Felipe
Lindoso, o livro virtual traz simplesmente mais facilidade de acesso aos
diferentes conteúdos. Não irá, na avaliação dele, interferir em leituras mais ou
menos superficiais. “Quem lê bobagem em papel pode continuar fazendo isso em
e-books. Quem lê coisas importantes, idem. Não é o meio que importa, o que
importa é a relação do leitor com o conteúdo do livro.”

De acordo com Pereira, da Biblioteca Pública, a plataforma digital poderá
vir a ser um aliado para atrair novos jovens – geralmente mais habituados ao
mundo virtual. “Pode ajudar a ter mais leitores, mas eles precisam de incentivos
para a inserção no universo da leitura”, diz.







País tem acervos online gratuitos à disposição

O editor e consultor de políticas públicas para leitura Felipe Lindoso
ressalta que, no Brasil, muitas obras estão sendo digitalizadas e postadas em
sites específicos. A Biblioteca Nacional participa de um projeto da Unesco e já
tem parte de seu acervo de obras raras digitalizado e disponibilizado (http://bndigital.bn.br/). “O Ministério da Educação também tem
um portal, o Domínio Público, que disponibiliza milhares de títulos
gratuitamente (http://www.dominiopubligo.gov.br/)”, completa.

Ainda é impossível prever se no futuro os livros convencionais serão
substituídos pelos virtuais. Lindoso afirma que “dizer se vai ou não acabar o
livro de papel é só questão de opinião ou vocação para cartomante ou
futurólogo”. Pensamento semelhante ao da pesquisadora Marta Costa. “Considero
essa oposição entre livro impresso e digital uma falácia. Sempre haverá os fãs
do papel com cheiro de livro, assim como os fãs do vinil pagam fortunas para
adquirir e manter um objeto quase desaparecido, mas simbolicamente
valioso.”


Projeto

O Sesi mantém no Paraná 40 unidades da Indústria do Conhecimento, uma
biblioteca que mescla material virtual e impresso. Segundo o superintendente do
Sesi-PR, José Fares, os espaços são abertos ao público e funcionam próximos a
escolas públicas. São mais de 10 mil livros e artigos
digitalizados.

E, no Brasil, será que essa ideia daria certo? Talvez sim, mas antes disso
o desafio é outro: formar uma nova geração de leitores. De acordo com a pesquisa
Retratos da Leitura no Brasil 2012, 50% dos brasileiros – algo como 88,2 milhões
pessoas – não leem. “Para quem não lê, seja impresso ou virtual, o livro não
existe”, analisa a pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marta
Costa.