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SP pode ter trem de média velocidade até 2016
18/04/2013

 



17 de abril de 2013 | 15h 06

 

CARLA ARAÚJO E ELIZABETH LOPES - Agência
Estado



Enquanto o projeto de construção do Trem de Alta Velocidade (TAV), conhecido
como trem-bala, ainda está em discussão no âmbito do governo federal, outro
projeto sobre trilhos, de iniciativa do setor privado, em parceria com o governo
do Estado de São Paulo, já está com o processo licitatório definido para o mês
de outubro. Denominado Trem Intercidades, o projeto consiste em uma malha
ferroviária de 430 quilômetros - com aproveitamento da faixa de domínio da CPTM
-, e velocidade média de 120 quilômetros por hora, podendo chegar a 160
quilômetros por hora.




As obras estão previstas para serem iniciadas no ano que vem e o prazo
estimado de conclusão é de três anos, segundo o vice-governador de São Paulo,
Guilherme Afif Domingos. O Trem Intercidades vai interligar, inicialmente, dois
principais eixos do Estado. O primeiro ligará a capital a Campinas, Americana,
Jundiaí, Santo André, São Bernardo, São Caetano e Santos e o outro ligará São
Paulo a Sorocaba, São Roque, São José dos Campos, Taubaté e Pindamonhangaba. A
estação na capital deverá servir de ligação com o trem bala do governo federal e
com o metrô paulistano. O projeto foi idealizado pelo BTG Pactual e pela Estação
da Luz Participações (EDLP). O montante a ser investido é de R$ 18 bilhões, no
esquema de Parceria Público Privada (PPPs), sendo que cerca de R$ 4 bilhões do
governo do Estado.



"A expectativa é fechar a concorrência pública em outubro, para começarmos as
obras no ano que vem", disse Guilherme Afif, que também preside o Conselho
Gestor de PPPs estadual. Ele ressaltou que os R$ 4 bilhões provenientes dos
cofres do governo paulista "já estão previstos no Orçamento". E que este projeto
"é a menina dos olhos do momento". O controlador e presidente da Estação da Luz
Participações, Guilherme Quintella, afirmou que o objetivo é entregar os estudos
técnicos do projeto até o mês de julho. "Estamos trabalhando com uma grande
equipe para isso", contou o empresário, afirmando estar ''animado'' com este
projeto.



''Provocação''



O vice-governador afirmou que a realização do Trem Intercidades só está sendo
possível por conta do que classifica de ''provocação'' da iniciativa privada. "O
BTG Pactual e a Estação da Luz Participações apresentaram a Manifestação de
Interesse Privado (MIP) para o projeto e agora estamos colocando em prática",
comemorou. E, sem citar nomes, disse que já há empresas interessadas no projeto.
"São Paulo tem experiência de 20 anos de concessões, está à frente. E é no
Estado que se concentra 70% do poder de decisão dos investimentos do País."



Segundo Afif, a ideia é voltar a estimular o transporte de passageiros sobre
trilhos e criar uma alternativa para concorrer com os automóveis, que estão
superlotando as rodovias estaduais. "É uma região (as cidades interligadas pelo
projeto) muito importante, onde está 25% do PIB do País." O vice-governador
afirmou ainda que a estimativa é que as tarifas cheguem a, no máximo, R$ 15 por
trecho. "Muito vantajoso se considerarmos a questão do custo do pedágio,
gasolina, etc."



Afif destacou também que o Trem Intercidades não compete com o Trem de Alta
Velocidade do governo federal, até porque os dois projetos devem se interligar:
"O TAV concorre com o avião, que é um meio para distâncias maiores." Quintella
também reforça a tese, afirmando que o projeto foi concebido com o objetivo de
se associar ao TAV. "A ideia é agregar e gerar valor para os dois lados",
frisou.



A decisão da escolha da estação central em São Paulo, que integrará TAV, o
Intercidades e o Metrô (futura linha 6), é uma das decisões mais aguardadas para
o projeto. Empresários consultados pela reportagem afirmam que quanto melhor a
conectividade dos sistemas, mas atrativo ele será.



Os locais mais cotados para receber essa estação central são a Estação da Luz
(junto com o complexo Julio Prestes); a Água Branca e a região do Campo de
Marte, que precisaria de uma extensão do metrô no local. A definição passa
também pelo crivo da Prefeitura de São Paulo, que precisa acordar a questão dos
terrenos a serem cedidos com os governos estadual e federal.

 

Fonte: Estado de São Paulo - http://www.estadao.com.br/noticias/geral,sp-pode-ter-trem-de-media-velocidade-ate-2016,1022173,0.htm