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Vaticano expõe documentos valiosos de arquivos secretos
29/02/2012

 

29/02/2012 - 18h16
DA FRANCE PRESSE, EM ROMA


O processo de Galileu, a excomunhão de Martin Luther, passando pela "confissão" dos Templários: pela primeira vez o Vaticano revela ao público alguns de seus inúmeros segredos, numa exposição excepcional, aberta nesta quarta-feira nos museus do Capitólio, em Roma.


No total, mais de cem documentos originais foram selecionados, por ocasião dos 400 anos de criação desses arquivos secretos, pelo papa Paulo 5.


Visitante observa exposição "Lux in Arcana, que revela documentos valiosos do Vaticano
Intitulada "Lux in arcana" ("Luz sobre os segredos" em latim), a exposição permite ao visitante descobrir a pedido de anulação do casamento de Henrique 8º e Catarina de Aragão, e o "dictatus Papae" de Gregório 7, um manuscrito do século 11 afirmando a supremacia dos papas sobre todos os outros poderes na terra.


Além do processo de Galileu e a bula de excomunhão de Martin Luther, está um pergaminho de 60 metros, remontando a 1308, e contendo a confissão dos templários diante de três cardeais enviados por Clemente 5 ao castelo de Chinon (centro da França).


"É a primeira vez na História, e talvez, também, a última, que esses documentos deixam o interior do Vaticano", afirmam os organizadores.


Sinal da importância do evento, o número dois do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, abriu a exposição ao lado do "ministro" da Cultura do Vaticano, Gianfranco Ravasi, do prefeito de Roma, Gianni Alemanno, e do ministro italiano da Cultura, Lorenzo Ornaghi.


Ouvido pela imprensa sobre o que o teria mais impressionado nesta exposição, o cardeal Bertone respondeu: "Certamente, a verdade histórica".


EVENTOS HISTÓRICOS


Também foram revelados documentos que defendem a atitude do papa Pio 12, criticado por ter mantido silêncio ante o Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Entre eles, está um relatório do núncio Francesco Borgongini-Duca que visitou sete campos de concentração na Itália, em 1941, e uma carta de agradecimentos de pessoas detidas nos campos, endereçada ao papa.


Entre os outros documentos está a nomeação ao trono papal do eremita Pietro Morrone (século 13), que se tornou Celestino 5º e foi o único papa da História a se demitir. Há também um documento do século 15 no qual Alexandre 6 divide o Novo Mundo entre a Espanha e Portugal, após a "descoberta" da América por Cristóvão Colombo. Ou ainda o decreto do papa Leão 10 que selou o cisma com os protestantes, conduzindo às guerras de religiões fratricidas na Europa.


Outros tesouros: as cartas de Michelangelo sobre a construção da Basílica de São Pedro ou um documento confeccionado em seda pela imperatriz da China Helena Wang, convertida ao cristianismo.


Mais curiosa, a missiva do chefe da tribo indígena Ojibwa datando do século 19 a Leão 13, a quem chama de "grande mestre das preces que cumpre as funções de Jesus".


Outra raridade, uma carta de Maria Antonieta presa depois da Revolução, na qual pode-se ler: "os sentimentos daqueles que partilham minha tristeza (...) são a única consolação que posso receber nestas tristes circunstâncias".


A exposição "Lux in arcana" fica em cartaz entre 29 de fevereiro a 9 de setembro. Informações também foram disponibilizadas no site.


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Fonte:Folha SPaulo/Mundo