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Museu da Energia, um pedaço perdido de São Paulo
01/03/2012

 

Quem passa pela Alameda Cleveland, no bairro dos Campos Elíseos, depara com uma grande edificação amarela. Diferente dos muitos casarões que existiam na região e que foram se deteriorando com o tempo, o do número 601 mantém certa imponência e, hoje, é a sede do Museu da Energia de São Paulo.


Construído em 1894, o local que abriga o Museu da Energia foi residência da família de Henrique Santos Dumont, irmão de Alberto Santos Dumont, o pai da aviação. O espaço, por si só, merece uma visita.


Nas paredes e no chão pode-se observar o trabalho meticuloso de restauro pelo qual o casarão passou. Entre os detalhes que chamam a atenção estão os corrimãos e os vitrais em estilo art noveau no casarão anexo à casa principal.


Na residência principal, os afrescos nas paredes e o acervo de peças de iluminação de rua são um capítulo à parte. Moldes em madeira – que posteriormente se transformaram em riquíssimos detalhes nos postes do entorno do Theatro Municipal de São Paulo – estão entre as peças que mais se destacam.


Outros objetos chamam a atenção como o quadro O Salto de Itu, de Benedito Calixto. Mariana Rolim, superintendente da Fundação Energia e Saneamento, explica que alguns objetos faziam parte do acervo da Cesp e da Light. “São mobiliários do início do século que foram doados pelas empresas quando tiveram início as ações da Fundação Energia e Saneamento.


Os estudantes Michael de Souza, Nicolas Silva, Everson dos Santos e Michaeli Silva sempre visitam o local. “Estudamos ao lado, na Escola Estadual João Koph. A professora de Física trouxe uma turma aqui e descobrimos um mundo bem interessante. Eu levei vários colegas e vizinhos para conhecer o prédio, que é bem bonito”, diz Michaeli.


O Museu da Energia de São Paulo é um dos equipamentos culturais da Fundação Energia e Saneamento. É um espaço aberto para discussões sobre história da energia, desenvolvimento de tecnologias do setor energético, seus impactos sociais e ambientais.


“A Fundação foi criada em 1998, com o objetivo de pesquisar, preservar e divulgar o patrimônio histórico e cultural do setor energético e de saneamento ambiental. Atuamos no Estado de São Paulo por meio de uma Rede de Museus da Energia e de um Núcleo de Documentação e Pesquisa, que realizam ações culturais e educativas para o fortalecimento da cidadania e do uso responsável de recursos naturais”, explica Mariana Rolim.


A superintendente salienta que a Fundação, mantida por três grandes empresas do setor energético (Eletropaulo, Sabesp e Cesp), cuida do sistema de Museus da Energia em São Paulo, Jundiaí e Itu, além de quatro pequenas centrais hidrelétricas em Rio Claro, Salesópolis, Brotas e Santa Rita do Passa Quatro e um Núcleo de Documentação e Pesquisa, na capital.


 


Núcleo de Documentação 


Localizado no bairro do Cambuci, na capital paulista, o Núcleo de Documentação e Pesquisa é uma das principais fontes de informação sobre história da urbanização e da industrialização do Estado de São Paulo e do Brasil. Seu acervo arquivístico, bibliográfico, museológico e arquitetônico inclui mais de 1,5 mil metros lineares de documentos textuais, 260 mil documentos fotográficos, 10 mil plantas e desenhos técnicos, 50 mil obras bibliográficas, 3 mil objetos, além de documentos cartográficos, audiovisuais e sonoros, coletados a partir de meados do século 19.


“O desenvolvimento de São Paulo foi desencadeado após o crescimento demográfico e econômico do chamado ciclo do café. Os trabalhadores encontravam oportunidades na cidade e os cafeicultores faziam investimentos e exigiam melhorias urbanas”, informa Mariana.


Com a crise de 1929, que afetou a produção cafeeira do Brasil, e a Segunda Guerra Mundial, que restringiu o comércio internacional durante o conflito, a industrialização e o desenvolvimento, de modo geral, se intensificaram. Isso deu origem aos movimentos migratórios, com a chegada de estrangeiros e empresas de todas as partes do mundo, que trouxeram seus conhecimentos, recursos e força de trabalho. “Empresas de energia protagonizaram esse processo, nos séculos 19 e 20,


principalmente no Estado de São Paulo, proporcionando condições para o desenvolvimento da região. Daí a importância de se manter um núcleo e um museu que revelem as diversas facetas do desenvolvimento do setor setor energético no País”, diz a superintendente da Fundação.


 


Biblioteca e arquivo –


No espaço do Núcleo destinado à consulta, o pesquisador tem à sua disposição instrumentos de pesquisa eletrônicos e impressos, além de apoio e orientação de pessoal especializado. Para realizar a pesquisa presencial aos acervos da biblioteca e do arquivo é necessário agendamento prévio por e-mail ou telefone.


O catálogo eletrônico da biblioteca, do arquivo e dos museus está disponível on-line na página da Fundação (www.energiaesaneamento.org.br), que permite também buscas cruzadas entre os acervos e a visualização de mais de 2 mil imagens.


Especializada em tecnologia e história da energia e da industrialização de São Paulo, a biblioteca reúne, além de títulos novos, materiais doados pelas empresas The São Paulo Tramway, Light and Power Co. Ltd., Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (ISA-CTEEP) e Companhia Energética de São Paulo (Cesp). São monografias, catálogos, periódicos e materiais audiovisuais que datam de 1848 até os dias de hoje.


Também fazem parte deste acervo as bibliotecas particulares de engenheiros que atuaram em empresas públicas e privadas de energia, como Adolpho Santos Junior, Catullo Branco, Antonio Cavalcanti e Lindolfo Ernesto Paixão.


O arquivo é composto por 35 fundos e coleções, dos quais 23 são arquivos de empresas, seis pessoais e cinco coleções. São documentos administrativos e técnicos das empresas The São Paulo Tramway, Light and Power Co. Ltd., Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (ISA-CTEEP) e Companhia Energética de São Paulo (Cesp), prontuários de funcionários, documentos fiscais e contábeis, registros fotográficos sobre construção de usinas no Estado de São Paulo, instalação de linhas de bonde, de iluminação pública e de canalização de gás, propagandas veiculadas pelas empresas, planta e desenhos técnicos de equipamentos. As coleções são compostas de fotografias registradas por fotógrafos amadores que apresentam o cotidiano e o desenvolvimento da cidade de São Paulo entre as décadas de 1910 e 1980.


 


Educação 


Mariana Rolim explica que a função do museu vai além da museológica. “Realizamos diversas oficinas que têm como objetivo mostrar as maravilhas da energia, a história da casa e do próprio bairro”. Campos Elíseos foi o primeiro bairro planejado da capital paulista. Era lá que a elite cafeeira montava os seus casarões.


Perto dali, está o antigo Palácio do Governo de São Paulo, na Avenida Rio Branco. Do esplendor ao abandono As novidades não param por aí. A Fundação vai participar da Virada Cultural 2012. “Com a operação na antiga Cracolândia, que afastou muitos usuários de droga, queremos atrair os visitantes para o museu, principalmente aqueles que visitam a Pinacoteca, o Museu da Língua Portuguesa e a Sala São Paulo. Para isso, estamos preparando programações bem diferenciadas e o público vai adorar”, planeja Mariana.


Maria Lúcia Zanelli


Da Agência Imprensa Oficial