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Tratada como revolução tecnológica, nanociência ainda necessita de regulamentação
30/07/2013

 

26/07/2013 -
11h15





Heloisa Cristaldo
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Apontada como solução para muitos dos problemas da humanidade, a
nanotecnologia ou nanociência enfrenta, ainda, dilemas como a regulação da área
e o escasso conhecimento a respeito dos efeitos colaterais de novos materiais produzidos.


O diretor do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), Fernando Rizzo,
aponta que elementos em nanoescala se comportam de maneira diferente do que
fariam em sua forma principal. “Há uma preocupação que algumas dessas
nanopartículas possam ser tóxicas”, alerta o diretor.


O tamanho nanométrico das partículas também causa temor em médicos. As
nanopartículas podem atravessar a membrana que protege o cérebro de componentes nocivos lançados na corrente sanguínea.


“Uma questão básica da regulamentação é saber quais são os efeitos de
nanopartículas em seres humanos. Para isso, tem que fazer pesquisa e saber como
elas funcionam”, diz o coordenador-geral de Micro e Nanotecnologias do
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Flávio Plentz.


A regulação da área está entre as prioridades das discussões do Conselho
Interministerial de Nanotecnologia, composto por nove ministérios além da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O MCTI financia seis redes de
pesquisa em nanotoxicologia para estudar e orientar a legislação sobre o
tema.


“A regulação é a segurança que um produto que envolve nanotecnologia vai ser
seguro para o uso como qualquer outro produto. Depois, tem os aspectos de dar
segurança jurídica, para que empresas desenvolvam produtos em nanotecnologia e
saibam o que precisam ter para estar no mercado”, disse Plentz.


A falta de regulação da nanotecnologia é um problema comercial e em escala
mundial. Muitos países não têm regras para produtos desenvolvidos pela área. “O
mundo inteiro tem esse problema de regulação. Uma questão importante em
nanotoxicologia é que não existe sequer os protocolos mais adequados para testar
as nanopartículas, como pesquisar estruturas, que tipo de técnica ou instrumento
se usa para medir as propriedades”, destaca o professor de física da
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Peter Schulz.


O acadêmico cita como exemplo o uso de nanopartículas de prata que atuavam
como germicidas em aparelhos como ar-condicionado, geladeiras e máquinas de
lavar roupas.


“Embora as nanopartículas de prata tivessem uma ação higienizadora
fantástica, elas também eram eliminadas pelo esgoto e matavam micro-organismos,
no meio ambiente, benéficos para o ciclo da vida. Houve uma reação da sociedade
civil contra isso e levantou o debate sobre a regulamentação”, explica Peter
Schulz.


Ele é autor do livro A Encruzilhada da Nanotecnologia, que chama a
atenção para os aspectos revolucionários da área e também às preocupações
referentes aos impactos dessas inovações. Além das questões de saúde,
tecnologias avançadas podem criar armas mais poderosas, tanto as letais quanto
as que não causam morte.


“Quando a tecnologia é inserida em um contexto social também pode trazer
preocupações, que não devem impedir a pesquisa, as tentativas de inovações. Mas,
de fato, exigem um diálogo melhor e mais intenso com a sociedade”, conclui o
professor.



Edição: Marcos Chagas


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