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O queridinho do público
14/08/2013

 

Desde sua inauguração, em 1989, o complexo arquitetônico Memorial da América Latina desperta paixões nos paulistanos e visitantes a passeio ou negócios pela capital paulista. Segundo recente pesquisa da Revista São Paulo (jornal Folha de S.Paulo), é o líder do rankingna capital paulista e do Estado de São Paulo: foram 1.237.534 visitantes em 2012. Em segundo lugar ficou o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), com 998.858 visitantes (veja o quadro). Em termos nacionais, o Memorial ocupa a segunda posição, a se levar em conta dados de 2010, que aponta o CCBB de Brasília com 1.267.146 visitantes. Se o Memorial tivesse sido incluído na pesquisa publicada em 2011 pela revista inglesa The Art Newspaper figuraria entre as mais importantes instituições culturais do mundo, como o Museu do Louvre (Paris), o Metropolitan e o Museu de Arte Moderna (Nova York), o Museu do Prado, em Madri, o Hermitage de São Petersburgo.

Os números parciais de 2013 (388.630 visitantes) referentes ao primeiro semestre, que historicamente corresponde a menos de 40% do total anual, indicam que o patamar de aproximadamente 1 milhão de frequentadores dever ser mantido.

Para o presidente da instituição, João Batista de Andrade, a meta é ambiciosa e pode ser justificada pelos recentes acordos e convênios estabelecidos com a TV Cultura e o Metrô de São Paulo, que deverão contribuir para o aumento de visitantes. Desde a entrada no ar de chamadas da televisão, o público da feira cultural na Praça Cívica do Memorial vem crescendo. A aposta na parceria Metrô Barra Funda também promete render. O Memorial será visto por grande parte dos transeuntes e passageiros, cerca de 10 milhões/ano, em grandes imagens fotográficas colocadas nas plataformas dos trens e Metrô. Para quem chega ou sai, nas rampas de acesso à estação será instalado um vídeo wall, com a programação e a identificação visual do Memorial.

Atração imperdível – Obra nascida do gênio de Oscar Niemeyer, o Memorial é ponto de referência e união entre os povos latino-americanos. Por lá passam diariamente chefes de Estado, diplomatas, políticos e estudiosos brasileiros e estrangeiros. A cada mês, durante o período escolar, são cerca de sete mil crianças e adolescentes em visita pelas suas dependências – o Pavilhão da Criatividade, a Biblioteca, a Galeria Marta Traba e o Salão dos Atos.

Com 84 mil metros quadrados, está localizado no coração da Barra Funda, ao lado do Metrô. Foi a facilidade de acesso que atraiu o advogado Leonardo de Almeida Zanetti, de 33 anos, de Londrina, a conhecer o espaço, numa única manhã de trabalho em plena sexta-feira. Chegou às 8 horas, resolveu seus negócios e às 11 horas já estava livre, aguardando a viagem de volta, marcada para 15 horas. “Os museus de São Paulo são atração imperdível. Volto impressionado com a grandiosidade do Salão dos Atos, onde se acham os paineis de Poty Lazarotto, Portinari e de Carybé”. Zanetti só lamentou não ter tido mais tempo e aproveitou para recomendar aos visitantes: “Vale a visita ao Pavilhão da Criatividade, amplo salão que abriga uma coleção permanente primorosa da Arte Popular da América Latina. Achei a Biblioteca fantástica, com o acervo específico sobre a América Latina. Enfim, foi uma exploração e tanto com a qual contribuíram bastante os funcionários do Memorial, demonitores a pessoal da vigilância, todos com o Museu na ponta da língua”.

Sem igual – Lá fora, junto à Mão, símbolo do Museu, a família portuguesa, da cidade do Porto, também descobre o que o Memorial tem. Maria da Graça Pinho da Cruz, professora aposentada de Português, Grego e Latim, comenta sua surpresa ao conhecer a proposta da instituição. “É enriquecedor e uma boa amostra dos vários países da América Latina. Aprendemos muita coisa, gostei do colorido das exposições e da diversidade de informações”. Ela, o marido Joaquim José, engenheiro, e os filhos Jorge Manuel e Joaquim Alexandre, também engenheiros, curtem férias visitando museus, enquanto aguardam o casamento de Jorge, em São Paulo, daqui uma semana, com uma paulistana. Para os irmãos, a visita, além de prazerosa, reserva surpresas, pela latinidade. “Nunca vimos nada parecido, em Portugal, por exemplo, temos espaços reservados à cultura europeia e aos países africanos”.

Aqui tudo tem um porquê e uma história, comenta Adriana Beretta, gerente do Pavilhão da Criatividade Popular Darcy Ribeiro. Formada em História, Adriana viu o Memorial nascer, em maio de 1988. Durante a construção caminhava de botas no local ainda lamaçento e via os artistas Poty e Caribé já trabalhando os paineis que hoje emocionam o público no Salão dos Atos. Cita Darcy Ribeiro: “Onde houve alta civilização, há alto artesanato. O grande público que por aqui passar (Pavilhão) terá a alegria de perceber a capacidade de criação e a sensibilidade destes povos das Américas que, no passado, construíram grandes civilizações”.

Maria das Graças Leocádio
Da Agência Imprensa Oficial

DOE, Executivo I, 14/08/2013, p. I