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SP vai terceirizar atendimento do 190
04/09/2013

 

Serviço de emergência da PM é feito hoje por integrantes da corporação; projeto-piloto começará em três cidades

 

Segundo Alckmin, objetivo é liberar mais policiais para as ruas; medida já existe em Estados como RJ e MG

LUCAS SAMPAIO
DE CAMPINAS

O governo de São Paulo vai terceirizar o atendimento de emergência por telefone da Polícia Militar, o 190, hoje realizado por integrantes da corporação. Ainda sem data de implantação, o projeto-piloto será em São Paulo, Osasco e São José dos Campos.

O comandante-geral da PM, Benedito Meira, afirmou que o edital, ainda em fase de elaboração, vai exigir alta qualificação de pessoal.

"Gostaríamos, por exemplo, que a empresa contratasse policiais aposentados e policiais deficientes físicos, porque são pessoas que já gozam de certa experiência."

Meira diz que o 190 tem três tipos de profissionais e que apenas o atendimento inicial será terceirizado. "A supervisão e os pontos de despacho continuam a ser executados exclusivamente por PMs."

O comandante afirma que "casos críticos" continuarão a ser atendidos por policiais.

A PM diz que, no início, os atendentes terão acompanhamento dos policiais militares que trabalham no atendimento das chamadas de emergência "até que se tenha certeza do mesmo nível de excelência de atendimento".

Há hoje cerca de 700 PMs para atender 150 mil ligações diárias no Estado, mas o ideal é que houvesse mais 500 policiais, segundo a corporação.

Ontem, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu a terceirização. "Eu vejo de maneira positiva", disse. O objetivo, segundo ele, é "ter cada vez mais o policial na rua, em sua atividade preventiva, ostensiva e repressiva".

O 190 terceirizado não é novidade no Brasil. Foi implantado em 2000 em Fortaleza e depois em Estados como Rio, Minas, Maranhão, Sergipe e no Distrito Federal.

O pesquisador Vasco Furtado, professor em computação da Universidade de Fortaleza e doutor em inteligência artificial, que participou da terceirização no Ceará, diz que a transferência do 190 é "uma questão superada".

"No atendimento, é desnecessário ter um PM. Mas deve-se fazer por etapas, porque é um processo traumático. Mas você, depois disso, terá um serviço com menor rotatividade de pessoal, por exemplo", avalia Furtado.

O analista em segurança Fernando Ubatuba diz que não se deve esperar uma melhora no 190 com a terceirização. "É muito importante que esse pessoal seja bem treinado e acompanhado por PMs experientes, ao menos no início", afirma.

Colaboraram PAULO GAMA e JOSÉ ERNESTO CREDENDIO, de São Paulo

Folha de S. Paulo