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Tempo de voo da ponte aérea SP-Rio pode cair 8 minutos
05/09/2013

 

Duração da viagem será reduzida para 36 minutos, menos do que se leva de carro no rush no corredor da Rebouças

 

Mudança é prevista por nova tecnologia que reduz rotas de aviões; implantação começa em dezembro deste ano

RICARDO GALLO
DE SÃO PAULO

Um projeto anunciado ontem pelo governo federal em parceria com empresas privadas prevê baixar em até oito minutos e meio a duração do voo entre os aeroportos de Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio) --rota mais movimentada do Brasil.

Simulações da Aeronáutica indicam que, a partir de dezembro, a ponte aérea SP-Rio poderá ter um tempo médio inferior a 36 minutos --ante os atuais 44 minutos.

Na prática, os passageiros ficarão menos tempo no voo do que para percorrer de carro, no rush da tarde, os 6,6 km do corredor da av. Rebouças e rua da Consolação.

A duração das viagens de avião também deverá baixar gradativamente em outros aeroportos, entre os quais Brasília, Curitiba e Confins (MG).

Inicialmente, os aviões da Gol participarão. A TAM deve se juntar depois.

A redução de tempo será possível porque as rotas utilizadas pelos aviões serão mais diretas, encurtando a distância entre as cidades.

Isso se dará por meio de uma tecnologia que permite aos aviões se guiar nos céus 100% por satélite --na etapa de cruzeiro e na aproximação para pousar num aeroporto.

Hoje a navegação conta com auxílio de equipamentos na terra, que transmitem dados via rádio para a aeronave e orientam sua localização. Esse modelo é considerado menos preciso.

TÚNEL

Adotada em aeroportos dos Estados Unidos e incentivada pela Organização Internacional de Aviação Civil, a navegação por satélite na aproximação dos aeroportos cria uma espécie de "túnel virtual" por onde a aeronave passa de modo mais preciso.

A medida no Brasil vai envolver, ao todo, dez aeroportos --que terão seus caminhos aéreos redesenhados para os procedimentos via satélite: Cumbica, Congonhas, Campinas, Santos Dumont, Galeão, Brasília, Vitória, Curitiba, Pampulha e Confins (os dois últimos, em Minas).

A rota entre Congonhas e Brasília, por exemplo, tem potencial de redução de 11 minutos e 30 segundos. O voo dura cerca de uma hora e meia atualmente. De Brasília ao Galeão (Rio), a diminuição prevista é de 7 minutos.

COMBUSTÍVEL

Os ganhos serão, primeiro, em economia de combustível, que representa 43% do custo das companhias aéreas; a Gol projeta poupar R$ 178 milhões em cinco anos.

Outro impacto é a redução de emissões de gás carbônico na atmosfera, de acordo com o Decea (Departamento de Controle de Espaço Aéreo), órgão da Aeronáutica que coordena o projeto, batizado de "Céus Verdes do Brasil".

RUÍDO

Também haverá, diz o órgão, redução do ruído no entorno dos aeroportos.

Esse será um ganho indireto decorrente de uma mudança na maneira como os aviões reduzem altitude quando estão prestes a aterrissar.

Hoje, a maioria dos aviões desce em degraus --de 10.000 metros de altitude para 7.500 metros, depois para 5.000 metros, por exemplo.

O novo modelo prevê descida direta contínua, sem mudar a aceleração do avião.

"A descida contínua impacta na redução de ruído, porque toda vez que tem um nivelamento de altitude antes do aeroporto, toda vez que o motor aumenta a potência, aumenta o nível de ruído", diz o coronel aviador Gustavo Adolfo Camargo de Oliveira, do subdepartamento de operações do Decea.

PREÇOS DAS PASSAGENS

Para os passageiros, mais do que a viagem rápida, a expectativa é que haja queda de preço das passagens aéreas, uma vez que os custos das empresas diminuirão.

Isso também é o que espera o governo, segundo Juliano Noman, secretário nacional de Navegação Aérea da Secretaria de Aviação Civil.

Por enquanto, a Gol é a única companhia aérea que já participa do projeto --a empresa abriu dados dos seus voos para o Decea. A Azul deve entrar em breve. A TAM informou que acha os avanços feitos "excepcionais" e elevam o país "à vanguarda" do tema na aviação.

Associação das companhias aéreas, a Abear disse que as empresas adotarão o projeto gradativamente.

A entrada das companhias ao modelo de satélite depende de autorização da Anac (agência de aviação civil).

As empresas estão em fase de autorização --a TAM, por exemplo, diz que está "empenhada na obtenção das homologações necessárias".

A iniciativa é do Decea em parceria com Gol, GE Aviation e apoio da Secretaria de Aviação Civil.

Folha de S. Paulo