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Cerca de 10% das farmácias do Estado de SP não têm farmacêuticos
26/09/2013

 



Thamires Andrade
Do UOL, em São Paulo

Leticia Moreira/Folhapress

  •  Consumidores verificam produtos em prateleiras de em São Paulo (SP)

    Consumidores verificam produtos em prateleiras de em São Paulo (SP)

Cerca de 10% das farmácias do Estado de SP, o equivalente a 1.493 estabelecimentos, não possuem farmacêutico, conforme determina a lei federal 5991/73. A falta do profissional, segundo o CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo), pode trazer riscos à população.

O levantamento, realizado pelo conselho, foi divulgado nesta quinta-feira (26), após uma nova resolução do órgão que autoriza os profissionais de farmácia a prescreverem medicamentos que não exijam prescrição médica, como analgésicos e antitérmicos.

O CFM já informou que irá à Justiça contra a decisão.

Para o presidente do CRF-SP, Pedro Menegasso, o trabalho do farmacêutico é fornecer todas as informações para o paciente e identificar possíveis erros de prescrição. "Ele deve avaliar a receita, ver se há algum erro, pois às vezes a pessoa toma um medicamento e o médico não sabe. O farmacêutico é a última linha de defesa do consumidor antes de usar o medicamento e ele deve evitar que o paciente tome algum remédio errado", avalia.

A fiscalização nos estabelecimentos farmacêuticos é realizada por 44 farmacêuticos fiscais e são feitas em média 7.000 inspeções por mês. Neste ano, até agosto, foram realizadas cerca de 56 mil inspeções.

"Nós aumentamos a fiscalização para garantir o direito da população de ser atendida pelo farmacêutico, que é um profissional de nível superior, capacitado a orientar sobre o uso correto dos medicamentos", alerta Menegasso.

O presidente do CRF-SP avalia que as farmácias não são qualquer tipo de loja. "É um estabelecimento que tem compromisso com a sociedade e que oferece produtos necessários, mas perigosos", aponta. Menegasso dá como exemplo os analgésicos, que são subestimados pela população no tocante aos riscos inerentes à sua administração. Eles podem provocar reações de hipersensibilidade, dependência, sangramento digestivo, e ainda mascarar a doença de base que, por sua vez, poderá progredir.

Menegasso pede ainda que a população denuncie as farmácias e drogarias que não tenha um farmacêutico presente. Para registrar uma queixa, o interessado pode denunciar pelo 0800 77 02 273 ou por e-mail denuncia@crfsp.org.br. É importante também informar o nome do estabelecimento, o endereço, a data e o horário em que o farmacêutico não estava no local. "A população deve exigir a presença do farmacêutico, contar com a orientação do profissional, pois é um direito garantido por lei", finaliza.

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/09/26/cerca-de-10-das-farmacias-do-estado-de-sp-nao-tem-farmaceuticos.htm