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Mais de 450 mil espécimes da flora brasileira e internacional
07/11/2013

 







O Jardim Botânico de São Paulo está completando 85 anos de
atividades. Um dos eventos comemorativos foi a inauguração, ontem, do novo
prédio do Herbário SP, o terceiro maior do Brasil, cujo acervo abriga cerca de
460 mil espécimes da flora brasileira e internacional.



Unindo atividades de conservação, pesquisa e educação, o Jardim
Botânico – subordinado ao Instituto de Botânica (IBt), da Secretaria do Meio
Ambiente – conquistou ao longo dessas décadas o respeito de especialistas e a
admiração de visitantes, que percorrem seus espaços e têm acesso a diversas informações
sobre biodiversidade e as atividades de preservação.



No novo edifício do herbário, as chamadas exsicatas
(amostras de plantas prensadas e secas, que ficam fixadas em um papel especial,
com as informações científicas) poderão ser preservadas com mais segurança. A
construção oferece condições controladas de umidade e temperatura, além de
sistema de combate a incêndio. Teve custo aproximado de R$ 5,2 milhões, contou
com recursos diretos do Estado, de convênios entre o Estado de São Paulo e a Financiadora
de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo (Fapesp).



Para o diretor-geral do IBt, Luiz Mauro Barbosa, “é um
motivo de grande orgulho termos o terceiro maior herbário do Brasil, que dá
todo o apoio ao sistema ambiental paulista”. Uma das atividades que contam com
a atuação dos profissionais do herbário é a de estudos de impactos ambientais, tanto
como fonte de informação prévia para esses estudos, como de depositário de exemplares
de espécies advindas de grandes obras, como o Rodoanel Mario Covas.



Preservação adequada – O acervo da instituição tem dois
séculos de amostras da flora brasileira, em grande parte representativa do
Estado de São Paulo. As mais de 460 mil exsicatas de plantas e fungos estão
distribuídas por todos os grupos vegetais (algas, fungos, briófitas,
pteridófitas e fanerógamas). Abriga coleções históricas importantes como as
coletadas pela Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo, que teve início em
1890.



Os pesquisadores científicos Cíntia Kameyana e Jefferson
Prado contam que a transferência desse rico material ainda exigirá alguns meses
de trabalho meticuloso – que para que se volte ao parâmetro estabelecido.



A mudança do Herbário SP para o novo prédio irá beneficiar
também o Programa de Pós-graduação em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente do
IBt, que poderá ampliar sua capacidade de formar recursos humanos para atuação
em projetos e estudos de impacto ambiental.



Simpósio – Começou ontem, ainda, a quinta edição do Simpósio
de Restauração Ecológica, que traz como tema central Políticas Públicas para a
Restauração e Conservação da Biodiversidade. O evento, que tem a participação
de cerca de 800 pessoas, é composto por 19 palestras, distribuídas em cinco mesas
de discussão e 11 minicursos, além da apresentação de 161 trabalhos voluntários
na forma de painéis.



  



Contato direto com a natureza



 



O Jardim Botânico oferece ao visitante a oportunidade de manter
contato direto com a natureza. Ali, pode-se conhecer grande variedade de plantas
do Estado de São Paulo, do Brasil e de várias regiões do mundo. No ano passado,
o público que percorreu os espaços do jardim foi superior a 120 mil pessoas.



“Estamos tendo mais visibilidade”, afirma o diretor do Centro
de Pesquisas Jardim Botânico e Reservas, Domingos Sávio Rodrigues. Na área científica,
ele destaca o fato de que a instituição abriga mais de 80 pesquisadores e teve
mais de 200 teses ou dissertações defendidas nos cursos de pós-graduação.



A missão central do Jardim Botânico é a preservação e o uso sustentável
da biodiversidade paulista e brasileira e o conhecimento de todos os grupos de
plantas e fungos, bem como de suas relações com o meio ambiente.  



Em 2010, a Comissão Nacional de Jardins Botânicos (CNJB)
conferiu enquadramento na categoria “A” à instituição, pelo reconhecimento aos
serviços prestados. Essa atribuição segue critérios da Resolução Conama nº 339,
de setembro de 2003. Entre os itens analisados estão os projetos de pesquisas
científicas em conservação, atividades de educação ambiental, existência de
herbário e biblioteca.



“O nível A é um atestado de excelência, a mais alta
categoria, que leva em consideração os serviços prestados”, explica a
coordenadora do Programa Jardim Escola, Sandra Regina Visnad. Esse programa, um
dos vários mantidos pelo Jardim Botânico, tem como objetivo a capacitação
profissional em jardinagem e horticultura de cidadãos de baixa renda e
desempregados.



Viabilizado em parcerias com outras instituições, os cursos
são ministrados por técnicos e pesquisadores do IBt e outros profissionais
convidados, que formam profissionais capazes de atuar no mercado de trabalho
como jardineiros. Já foram realizados 16 cursos, com jornada média de 141 horas
de aulas teóricas e práticas, tendo formado 266 jardineiros.



Espaços – Os espaços mais conhecidos e tradicionais do
Jardim Botânico são as duas estufas – uma reproduz o ambiente da Mata Atlântica
e outra, um ambiente de cerrado. Construídas em 1928, eram chamadas
originalmente de Estufas do Orquidário. As estruturas de ferro inglês dos
edifícios já existiam no local, pois havia um projeto de construção de um
parque.



Em frente às estufas, o Jardim de Lineu, que compreende as
escadarias e o espelho-d’água, tem traçado simétrico inspirado no Jardim
Botânico de Upsala (Suécia). Há ainda o córrego Pirarungaua, afluente do riacho
do Ipiranga, o Lago das Ninfeias, o Jardim dos Sentidos e a Trilha da Nascente,
caminho que leva o visitante até o interior da Mata Atlântica. O local abriga
ainda o Museu Botânico Dr. João Barbosa Rodrigues, que reúne material de
pesquisa sobre biodiversidade.



Em setembro, foi inaugurada a obra Caminho do Rio, do
artista franco-tunisiano Jean Paul Ganem. A intervenção, de 2,5 mil m2, desenha
com flores e plantas um rio vermelho na entrada principal do Jardim Botânico.
Resgatando o traçado do curso original do Rio Tietê, o trabalho propõe, segundo
o autor, uma reflexão acerca da ação humana no meio ambiente e os impactos
causados pela prioridade dada ao progresso urbano, em detrimento da manutenção
do patrimônio natural



Instituição instalou-se em região com mata nativa



No final do século 19, a área do atual Parque Estadual das Fontes
do Ipiranga, onde se localiza o Jardim Botânico, era uma vasta região com mata
nativa, ocupada por sitiantes e chacareiros. Em 1917, a região tornou-se
propriedade do Governo, passando a denominar-se Parque do Estado.



Nesse mesmo ano, surgiu a Seção de Botânica, que fazia parte
do Instituto Butantan, e passou posteriormente pelo Museu Paulista e pelo
Instituto Biológico. Em termos físicos, localizava-se inicialmente no Instituto
Butantan, depois mudou-se para outros endereços. Em 1928, deu-se a criação do
Jardim Botânico, vinculado à Seção de Botânica. Destacou-se na sua formação o
naturalista Frederico Carlos Hoehne.



Em 1938, a Seção de Botânica ganhou autonomia
administrativa, com o nome de Departamento de Botânica do Estado. Quatro anos
depois, passou a se chamar Instituto de Botânica (IBt). Isso significa que o
Jardim Botânico surgiu dez anos antes do IBt, ao qual é subordinado.



O primeiro diretor do instituto foi Hoehne. Desde aquela
época, tinha como atribuições manter e administrar o Jardim Botânico, além de
desenvolver pesquisas nas mais diversas áreas de botânica.


Cláudio Soares



 



 

Bromélias e orquídeas



De amanhã a domingo serão realizadas a 114ª Exposição
Nacional de Orquídeas e a 38ª Mostra de Bromélias de São Paulo, ambas no
pavilhão de eventos do Jardim Botânico. Trata-se de promoção do Círculo
Paulista de Orquidófilos e do Jardim Botânico de São Paulo, que também faz
parte das comemorações do 85º aniversário do jardim. Cerca de 900 plantas serão
apresentadas, incluindo a coleção de orquídeas e bromélias do Jardim Botânico. Simultaneamente
ocorrerá a 29ª Expo Artes e Artesanatos do Jardim da Saúde, com barracas de
artesanatos e comidas típicas.



  



SERVIÇO



Jardim Botânico de São Paulo



Av. Miguel Estéfano, 3.031, Água Funda



Aberto de terça-feira a domingo, das 9 às 17 horas.



Telefone (11) 5067-6000



Ingresso: R$ 5 (adulto); R$ 2,50 (estudantes e pessoas acima
de 60 anos); isento para crianças de até 4 anos



Estacionamento: R$ 8 (carro), R$ 4 (moto), R$ 20 (ônibus e
micro-ônibus)



Visitas monitoradas: marcação pelos telefones (11) 5067-6219
ou 5067-6220



Mais informações em www.ambiente.sp.gov.br/jardimbotanico



 



DOE, Página de Notícias II-III, 07/11/2013