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MEC lança programa de bolsas no exterior para negros e índios
21/11/2013

 

Inspirada no Ciência Sem Fronteiras, iniciativa também quer incentivar o ingresso em mestrado e doutorado no Brasil

 



15 de novembro de 2013 | 2h 03

 

Paulo Saldaña - O Estado de S.Paulo



O Ministério da Educação (MEC) vai lançar um programa de
intercâmbio internacional para negros, indígenas e pessoas com
deficiência. O programa também fomentará o ingresso em mestrado e
doutorado no Brasil de pessoas com esse perfil, com objetivo de aumentar
o número de professores.


Batizado de Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento,
ele será uma espécie de Ciência Sem Fronteiras (CsF) - que já levou 38
mil estudantes para o exterior. Entretanto, enquanto o CsF é focado em
áreas como Engenharia e Exatas, o novo programa dá prioridade às
Humanas, como o combate ao racismo, igualdade racial, história
afro-brasileira e indígena, acessibilidade, inclusão ações afirmativas.


O orçamento e o número de bolsas ainda não foram definidos. Segundo o
governo, as bolsas internacionais serão definidas com base na seleção
das instituições e na capacidade delas para receber os estudantes.
Também depende da demanda de estudantes brasileiros. Somente 11,3% dos
negros com 18 a 24 anos frequentavam ou já haviam concluído o ensino
superior em 2012 - entre os brancos esse porcentual era de 27,4%


Para incentivar o ingresso desses alunos na pós-graduação no Brasil, o
MEC vai criar cursos preparatórios. A ideia é que haja a possibilidade
de curso de leitura e produção de textos acadêmicos em português e em
língua estrangeira, metodologia e projeto de pesquisa. Também há
previsão de assistência estudantil.


Segundo Macaé dos Santos, secretária de Educação Continuada,
Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), do MEC, é a primeira vez
que uma política pública prioriza a inclusão na pós-graduação. "Estamos
trabalhando em busca da equidade. Nossa meta é que negros, indígenas e
também pessoas com deficiência tenham a mesma representação dentro da
universidade."


Flink. O novo modelo será lançado oficialmente pelo ministro da
Educação, Aloizio Mercadante, no domingo durante a Flink Sampa
Afroétnica. O evento, que começa hoje em São Paulo, é organizado pela
Faculdade Zumbi dos Palmares.


O reitor da Zumbi, José Vicente, vê com entusiasmo a iniciativa. "É
uma ideia importante, que vai ao encontro às demanda de qualificação",
diz. "O Ciência Sem Fronteiras dificilmente permitiria o acesso do
negro, pela exclusão do jovem negro nas áreas prioritárias do programa. E
não podemos esperar dez anos", completa.


O programa homenageia um dos pioneiros do movimento negro no Brasil.
Abdias Nascimento foi ator, diretor, dramaturgo e político. Morreu em
2011, aos 97 anos.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,mec-lanca-programa-de-bolsas-no-exterior-para-negros-e-indios-,1096844,0.htm