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SP muda tática contra drogas e amplia comunidades terapêuticas
05/12/2013

 

600 vagas serão criadas em instituições mais abertas que os hospitais tradicionais; clínica será inaugurada em Botucatu

 



05 de dezembro de 2013 | 2h 03

Fabiana Cambricoli e José Maria Tomazela /
Botucatu - O Estado de S.Paulo



Quase dois anos após iniciar uma operação policial no centro de São Paulo
para tentar acabar com a Cracolândia, o governo do Estado decidiu mudar de
estratégia mais uma vez e agora vai investir na ampliação dos leitos de
comunidades terapêuticas para dependentes químicos. Segundo Ronaldo Laranjeira,
coordenador do Programa Recomeço, pelo menos 600 vagas serão abertas até o fim
do ano. Hoje são cerca de 300.



"A ideia é iniciar um modelo social de recuperação. As comunidades
terapêuticas são unidades mais abertas que os hospitais, nas quais o dependente
vai reconstruir a vida dentro de uma estrutura social nova. É como se fosse uma
família substituta", explica Laranjeira.


Para ele, a operação de janeiro de 2012, na qual a Polícia Militar tomou a
Cracolândia, não teve êxito porque não houve integração com as políticas de
saúde. "A operação até conseguiu desorganizar o tráfico, mas não houve
continuidade."


Os leitos novos estarão em entidades privadas ou filantrópicas que farão
convênio com o Estado. "Já temos entre 600 e 700 leitos pré-credenciados. Ainda
não temos a confirmação do número final porque temos de checar as condições de
infraestrutura e de documentação antes de finalizar o credenciamento. O
pagamento é feito diretamente à comunidade, R$ 1.450 por mês por paciente."


Clínica. O governo estadual também inaugura hoje, em
Botucatu, no interior, a primeira clínica própria do Estado exclusiva para o
tratamento de dependência química. Hoje, os leitos existentes são em alas
psiquiátricas de hospitais gerais ou em unidades privadas. Vinculado ao Hospital
das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, o Serviço Hospitalar e
Ambulatorial de Referência em Álcool e Drogas vai atender adolescentes entre 12
e 18 anos.


A aparência da clínica é de uma pousada, cercada por bosques e gramados. Há
uma área de lazer, com piscina, quadra de esportes e churrasqueira.


São 76 leitos, dos quais dez ficam na ala de desintoxicação, que recebe
pacientes em crise ou situação de risco. O período de desintoxicação vai de três
a cinco dias. Depois, o paciente segue para reabilitação.


O prédio tem um auditório com 60 poltronas e uma oficina de estética. "Vamos
oferecer cursos de tudo o que for possível: cabeleireiro, manicure, maquiador,
cozinheiro, confeiteiro, garçom, jardineiro, horticultor. Eles vão ter a
oportunidade de se ocupar e aprender", diz Marly Thieghi de Mello, diretora do
Centro de Atenção Integral à Saúde (Cais), que engloba a nova unidade.


A unidade vai atender pessoas de Botucatu e de 67 municípios do entorno. O
encaminhamento será feito pelas unidades de saúde, mas familiares de dependentes
também podem procurar o serviço. "O período de internação pode chegar a 15 dias,
mas o tratamento mesmo não tem prazo para terminar. A ideia é que, mesmo após
deixar a unidade, o paciente volte sempre que quiser ou sentir que precisa de
ajuda", conta Marly.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sp-muda-tatica-contra-drogas-e-amplia-comunidades-terapeuticas,1104341,0.htm