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Brasil terá novo índice de desemprego no mês que vem
10/12/2013

 

Área de pesquisa passará de 6 regiões metropolitanas para 3.500 cidades; em vez de mensal, divulgação de dados será trimestral

 

MARIANA CARNEIRO


DE SÃO PAULO


A partir do ano que vem, a taxa de desemprego do país será calculada de uma maneira diferente e divulgada a cada três meses.


Em vez de entrevistar pessoas apenas nas seis regiões metropolitanas mais populosas do país (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre), o IBGE vai ampliar o campo das entrevistas para 3.500 cidades (cerca de 60% dos municípios brasileiros).


Nem mesmo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a maior pesquisa feita hoje anualmente pelo instituto), alcança esse universo --vai a 1.100 municípios, visitando 147 mil casas.


Para calcular a taxa de desemprego e coletar outras informações sobre o mercado de trabalho, os pesquisadores vão coletar e processar quatro vezes por ano informações de 211 mil lares.


Após dois anos de testes, a nova pesquisa será lançada em 17 de janeiro, com os dados de 2012 e do primeiro semestre de 2013.


Os resultados do primeiro trimestre de 2014 só serão divulgados no fim de maio. O IBGE quer reduzir esse prazo para até 30 dias após cada trimestre ainda no ano que vem.


Para a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, o prazo é um desafio para os pesquisadores. "É uma mudança de escala e de padrão na coleta e na apresentação dos dados."


Além da taxa, o IBGE divulgará um retrato básico dos trabalhadores entrevistados, como se são funcionários públicos ou do setor privado, se são formais (têm carteira de trabalho assinada), se trabalham por conta própria ou como domésticos.


A atual pesquisa sobre o mercado de trabalho, a Pesquisa Mensal do Emprego (PME), continuará a ser calculada e divulgada até o fim de 2014, quando será extinta.


TAXA MAIS ALTA


Para analistas, é possível que a nova taxa fique um pouco acima da atual.


Isso porque a taxa de desemprego apontada na Pnad está levemente superior à da PME. No ano passado, foi de 6,2%, ante 5,5% registrados na PME.


"Ainda assim, não é possível dizer que o desemprego aumentará, porque são universos distintos", diz Eduardo Zylberstajn, da Fipe.


Outra limitação inicial é que só no fim de 2014 o IBGE divulgará os resultados por Estados e por região metropolitana. Até lá, os dados serão nacionais ou desagregados apenas por regiões.


O IBGE esperava lançar a pesquisa ainda neste ano, mas a adiou para apresentar a pesquisa a jornalistas e estatísticos, segundo a presidente do instituto.


Folha de S. Paulo