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Dilma deve recuar de veto ao Orçamento impositivo
11/12/2013

 

Rebelião da base aliada, capitaneada pelo PMDB, faz presidente voltar atrás em decisão de barrar execução obrigatória de emendas individuais em 2014

 

Eduardo Bresciani e Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo

Brasília - Para conter um princípio de rebelião em sua base governista, a presidente Dilma Rousseff decidiu recuar e não mais vetar os trechos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que garantem a execução obrigatória de emendas parlamentares individuais em 2014, o chamado Orçamento impositivo. Em troca, a base aceitou aprovar na próxima terça-feira, 17, o Orçamento do ano que vem.

O acordo foi fechado nesta quarta-feira, 11, após uma conversa da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). "Fiz agora um entendimento em nome dessa Casa com a presidente da República", anunciou Alves na Câmara, após o acordo.

O recuo do governo ocorreu após as críticas que o Planalto sofreu depois de anunciar que Dilma vetaria os trechos na LDO. O PMDB se sentiu diretamente atingido pelo anúncio do veto, uma vez que o Orçamento impositivo é uma bandeira do partido para garantir o abastecimento de recursos às suas bases eleitorais e, assim, conseguir assegurar uma bancada federal significativa. O partido deseja retomar o posto de maior bancada da Câmara, posição perdida para o PT nas eleições de 2010.

O governo avaliou que seria prejudicial abrir uma crise com o principal aliado agora, às vésperas do ano eleitoral. Isso porque as bancadas oriundas de Estados onde há problemas na montagem dos palanques com o PT, como Rio de Janeiro, Ceará e Bahia, aproveitaram o episódio desta semana para reforçar a tese de que os dois partidos não devem se aliar em 2014.

Tanto que o vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, foi acionado pelo governo para negociar uma saída.

Nesta quarta, ele disse estar convencido de que a convenção do PMDB não será antecipada de junho para abril, como querem os insatisfeitos. "Não cabe ao PMDB fazer este tipo de ameaça", afirmou o vice-presidente.