Notícias

Pesquisas vão nortear vacina contra dengue
27/12/2013

 

Ministério da Saúde encomendou série de estudos para saber em quais regiões a imunização é mais prioritária

 

Dados serão lançados num programa que fará simulações para indicar os melhores públicos para receber a vacina

JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA

Para saber que faixas etárias, condições de saúde e Estados têm maior vulnerabilidade à dengue e, assim, devem ser priorizados na futura campanha de vacinação, o Ministério da Saúde encomendou quatro pesquisas, que serão feitas em conjunto com universidades do país.

"Há uma expectativa muito grande que, em cinco anos, tenhamos uma vacina, ou vacinas, de dengue. E temos que ter uma estratégia para usar a vacina", explica Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em saúde do ministério.

Há pelo menos três vacinas em desenvolvimento contra a dengue. A doença matou 573 pessoas neste ano e 638 em 2010, ano de pico.

A vacinação de todos os brasileiros, porém, é mais que improvável. Segundo Barbosa, a previsão inicial de um dos laboratórios que desenvolvem a vacina era disponibilizar doses suficientes para cerca de 3 milhões de pessoas no primeiro ano --isso tendo o Brasil como um dos principais compradores.

Na leva de pesquisas, estão previstos a análise da série histórica da doença e de onde ocorrem com mais força, a coleta de sangue de crianças e adultos e estudos sobre as reações dos organismos à doença e a vacinas.

O sangue coletado permitirá identificar, em cada Estado, quem já teve dengue e qual (ou quais) dos quatro tipos da doença --e, assim, quais públicos têm maior ou menor imunidade ao vírus.

A coleta em adultos já está sendo feita pela Pesquisa Nacional de Saúde.

Já a coleta do sangue em cerca de 65 mil crianças e adolescentes será feita por um dos braços do estudo encomendado por Barbosa.

SIMULAÇÕES

Os dados reunidos serão lançados num programa de computador, que fará simulações para indicar os melhores públicos para a vacina.

"Posteriormente, vamos fazer um painel com especialistas para analisar as restrições do ponto de vista prático e escolher a melhor estratégia possível", diz Marcelo Burattini, professor da Faculdade de Medicina da USP e da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) e coordenador geral da série de pesquisas.

Segundo Burattini, a previsão inicial é ter resultados em dezembro de 2014.

Folha de S. paulo