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Não queime sua alegria
27/12/2013

 

Dados da Secretaria da Saúde revelam que somente no mês de outubro foram registradas 80 internações por acidente com fogos de artifício. Nas festas de fim de ano, esses números aumentam. Por isso o Corpo de Bombeiros alerta: muito cuidado nessa hora. “Esse artefatos são produtos controlados pelo Exército, que fiscaliza, com a colaboração da Secretaria de Segurança Pública e prefeituras locais, a recuperação, manutenção, manuseio, uso esportivo, colecionamento, exportação, importação, desembaraço alfandegário, armazenamento, comércio e o tráfego exercidos por pessoa jurídica ou física”, explica o capitão PM Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros de São Paulo. Ele ressalta que as pessoas só devem comprá-los em locais credenciados e autorizados, única forma de garantir segurança e ter as orientações de profissionais habilitados.

“Em julho, uma casa na Vila Carrão, zona leste de São Paulo, explodiu. No local estavam armazenados fogos de artifício de maneira irregular. O lugar foi interditado e o impacto afetou a estrutura de residências vizinhas”, recorda o capitão.

O Corpo de Bombeiros orienta para que a população denuncie comércio clandestino desse tipo de material ligando para 181 (Disque-Denúncia) ou 190, da Polícia Militar.

Esclarecimentos – Qualquer pessoa pode comprar fogos de artifício da classe A (leia boxe). Os da classe B não podem ser vendidos a menores de 16 anos e os fogos classes C e D a menores de 18 anos. Os de classe C e D (acima de 4 kits de seis tubos de lançamento de até 3 polegadas e, ou, acima de quatro girândolas minishow, com até 144 tubos de até uma polegada e meia só podem ser adquiridos e manuseados por profissionais. E a comercialização é restrita a lojas autorizadas e com técnico responsável. Esses fogos não podem ser estocados em qualquer lugar.

“Algumas pessoas produzem seus próprios fogos de artifício e nem sabem que são considerados produtos controlados e devem ter a fabricação autorizada pelos órgãos competentes. As penalidades para quem cometer infrações variam de advertência, multas, interdição a cassação de registro”, esclarece Palumbo.

Soltar fogos de artifício de madrugada também não é permitido. “Devem ser observados os cuidados necessários para evitar a perturbação ao sossego público e garantir o respeito ao período de silêncio entre as 22 e 6 horas”, informa o oficial. No entanto, nos dias e vésperas das tradicionais festas (de Santo Antônio, de São João e de São Pedro), a queima poderá se prolongar até as 24 horas. Nas comemorações de fim de ano, será permitido o show de queima de fogos de artifício até a 1 hora da manhã nos dias 25 de dezembro e 1º de janeiro.

É bom observar ainda que não se pode soltar fogos da janela de apartamentos. Os fogos de classe A poderão ser queimados livremente, exceto em portas, janelas e terraços voltados para a via pública e nas proximidades de locais destinados ao tratamento médico de internação ou ambulatorial e casa de descanso para idosos.

Animais – Os fogos de artifício nesta época do ano voltam a atormentar os animais de estimação. Como têm maior sensibilidade auditiva, cães e gatos são as principais vítimas do excesso de barulho, ficando estressados e amedrontados.

De acordo com a veterinária Karina Mussolino, “não se deve pegar o animal no colo ou prendê-lo; o ideal é o dono agir de forma natural, brincar, entretê-lo com seu brinquedo favorito, fazer festa, como se nada estivesse acontecendo”, recomenda.

Cães e gatos costumam se esconder nesses momentos de medo, por isso é importante deixá-los livres para essas fugas inesperadas, não permitindo que fiquem presos com a coleira (em alguns casos eles podem ficar rodando em círculos e até se enforcar), e manter o espaço livre para que não se machuquem.

“No caso dos gatos, é comum que sumam da vista dos donos. Se a casa ou o apartamento forem seguros, com redes nas janelas e portões fechados, deixe o bichano por lá, evite ficar chamando, para não estressá-lo ainda mais”, aconselha.

Karina cita casos de animais que morrem por parada cardiorrespiratória devido ao estresse ocasionado pelo barulho excessivo e ressalta que cães e gatos, com histórico de doença cardíaca, devem merecer cuidados especiais nessas situações. “É importante que o dono converse com o veterinário do animal para evitar surpresas” aconselha.

Classificação dos fogos de artifício
Classe A – Fogos de vista, sem estampido e fogos de estampido que contenham até 20 cg (centigramas) de pólvora ou massa explosiva por artefato pirotécnico;
Classe B – Artefatos pirotécnicos que contenham entre 21 cg e 25 cg de pólvora ou massa explosiva, por peça;
Classe C – Artefatos pirotécnicos que contenham entre 26 cg e 6 g (gramas) de pólvora ou massa explosiva, por tubo; artigos denominados por bombas de riscar, ou acender, também chamadas de morteiros, para apoio no chão, contendo no máximo 2 g de pólvora ou massa explosiva, por peça;
Classe D – Foguetes, com ou sem flecha (artigo de ar), cujas bombas contenham mais de 6 g de massa explosiva ou pólvora; morteiro de estampido de qualquer calibre fixado ao solo, desde que projetado por meio de tubo metálico ou de papelão, cuja bomba contenha mais de 6 g de pólvora ou massa explosiva; salvas de tiro, usadas em festividades, desde que cada bomba contenha mais de 6 g de pólvora ou massa explosiva; peças pirotécnicas, presas em armações especiais usadas em espetáculos pirotécnicos; artigos denominados bombas de riscar, ou acender, também chamadas morteiros, para apoio no chão, contendo mais de 2 g de massa de estampido, por peça.
(Fonte: Corpo de Bombeiros da PMESP)

Maria Lúcia Zanelli
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

DOE, Executivo I, 27/12/2013, p. I