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Prefeitura vai ampliar rodízio em SP até abril
09/01/2014

 

ANDRÉ MONTEIRO
DE SÃO PAULO

O secretário de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, afirmou nesta quinta-feira que a ampliação do rodízio municipal de veículos deve entrar em vigor entre março e abril deste ano.

A restrição, hoje vigente apenas no centro expandido, será ampliada para as principais avenidas que ligam a periferia ao centro da cidade. Serão ao todo 371 km de vias onde não será permitido circular nos horários de pico dependendo da placa do veículo.

A mudança se baseia em estudo da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) divulgado nesta quinta-feira (9) que propõe aumentar a restrição para cerca de 400 ruas e avenidas que ficam fora do centro expandido –e hoje, portanto, têm o tráfego liberado.

Serão incluídas na restrição avenidas como a Aricanduva (zona leste), Eliseu de Almeida (oeste), Inajar de Souza (norte) ou Washington Luís (sul), por exemplo. A restrição também vai atingir eixos viários importantes como a Radial Leste e 23 de Maio.

Segundo Tatto, o objetivo da ampliação é reduzir o volume de veículos nas ruas, inclusive na periferia, para melhorar a fluidez do trânsito. "Ninguém gosta da restrição, o ideal é que não precisasse de restrição nenhuma. Mas existe um fato concreto que é a dificuldade de transitar na cidade de São Paulo pelo excesso de veículos", afirmou.

"Isso é uma tendência no mundo, de começar a fazer algumas restrições para diminuir o número de carros. Tem cidades inclusive que implantam o pedágio, nós não temos essa opção."

O secretário disse esperar que os motoristas atingidos pela nova restrição passem a usar transporte público. "Todos nós sabemos que são medidas paliativas, o que tem que ser feito é investimento em transporte público e que as pessoas cada vez mais deixem o carro em casa", afirmou.

Como restrição será ampliada apenas para as avenidas, será possível cruzá-las para trafegar de um bairro para outro sem infringir o rodízio.

ESTUDO

O estudo foi feito com a ajuda de um programa de computador que simula os fluxos viários de toda a região metropolitana. Ele testou várias opções de ampliação do rodízio, em vigor desde 1997.

Para chegar às ações de maior impacto no trânsito, foi analisado o reflexo de cada mudança na redução da lentidão e no ganho de velocidade nas principais vias.

O estudo concluiu que o cenário mais vantajoso é manter o esquema de proibir dois finais de placa por dia e incluir na área proibida grandes avenidas que ficam fora do perímetro de 150 km² do centro expandido.

A primeira versão do estudo, apresentada em maio do ano passado, propunha ampliar a restrição para 240 km de vias. Mas ele foi refeito a pedido do prefeito Fernando Haddad (PT) e chegou-se a essa versão mais restritiva.

A versão inicial apontava ganho na velocidade média do trânsito de 15%, enquanto o índice de congestionamento cairia em até 20%. Na nova versão, os benefícios são menores: ganho de 8,5% na velocidade média e redução de 13% na lentidão.

A CET diz que a diferença ocorre porque foram alterados os parâmetros da simulação para que ela representasse melhor a dinâmica do trânsito com as novas faixas de ônibus, implantadas em 2013.

O estudo considera que a ampliação vai dobrar a eficiência do rodízio atual, usando no cálculo variáveis como o tempo que o motorista trafega sem lentidão, a frota de veículos e a demanda por viagens.

CONSELHO

Segundo Tatto, a mudança poderá ser implementada por meio de portaria, já que a lei municipal que criou o rodízio não especifica suas regras.

O secretário disse que a proposta de ampliação será apresentada ao Conselho Municipal de Trânsito e Transportes, órgão consultivo e sem poder de veto. "Mas se forem contrários a isso, vamos pensar duas vezes antes de implementar", disse.

A fiscalização das novas vias restritas deverá ser feita por meio de radares com tecnologia de leitura de placas. Questionado sobre o início das multas, Tatto disse esperar que comecem em um segundo momento, mas ainda no primeiro semestre.

A sinalização das novas vias restritas será feita por meio de placas e símbolos pintados no asfalto. Uma das ideias, que ainda dependem de aprovação do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), é pintar um "R" no início e no fim das áreas de rodízio.

Segundo Vicente Petrocelli, gerente de Planejamento Viário da CET, a conclusão da sinalização deverá levar mais de dois meses.

Folha de S. Paulo