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Empréstimo para pequenas e médias empresas cai em SP
03/02/2014

 

Volume de financiamentos de agência de fomento foi 11% menor em 2013, puxado por resultado da indústria

 

Para a Desenvolve SP, falta inovação no setor; sindicato afirma que está mais difícil obter crédito junto ao órgão

FILIPE OLIVEIRA
DE SÃO PAULO

O volume de empréstimos feitos pela Desenvolve SP (agência de fomento para pequenas e médias empresas do governo de São Paulo) teve queda de 11% no ano passado em comparação com 2012.

O resultado foi consequência principalmente da queda de empréstimos para indústrias. Em 2013, foram desembolsados R$ 157,2 milhões para esse setor, valor 28% menor que o de 2012.

Segundo o presidente da Desenvolve SP, Milton Luiz de Melo Santos, o ritmo de empréstimos mais lento é resultado da concorrência com produtos importados (principalmente da China).

"A indústria padece de falta de inovação, de falta de melhoria de processos e de uma carga tributária elevada", afirma Santos.

Segundo ele, houve uma redução nos pedidos de financiamentos --principalmente no setor de fabricação de máquinas.

Para Joseph Couri, presidente do Simpi (sindicato da micro e pequena indústria do Estado), não há menos interesse dos empresários em crédito, mas, sim, dificuldade de consegui-lo.

Ele diz que o sindicato tem parceria para divulgar a Desenvolve SP para seus afiliados há quatro anos. Porém nenhum empresário que procurou a agência indicado pelo sindicato teve êxito, diz.

"Se um empresário quer comprar uma máquina, um banco de desenvolvimento deveria incentivar isso", diz.

A agência de fomento diz que, das 22 empresas que se identificaram como encaminhadas pelo Simpi, dez possuíam faturamento inferior ao limite da pequena empresa (R$ 360 mil anuais) e foram encaminhadas ao Banco do Povo --instituição do Estado de São Paulo que oferece empréstimos a pequenos empreendedores, formalizados ou não, com faturamento inferior a esse teto.

As restantes deixaram de apresentar todas as documentações cadastrais necessárias ou desistiram das operações durante o processo.

Na contramão da indústria, os serviços tiveram alta de 111% no valor total de empréstimos em 2013 (foram R$ 165 milhões), puxados por investimentos do setor hoteleiro, segundo Santos.

A tendência de queda não foi acompanhada por outras agências. O BDMG, banco de fomento de Minas Gerais, informa que emprestou R$ 2,09 bilhões em 2013 (alta de 46%) em relação ao ano anterior. Na indústria, a alta foi de 20%, chegando a R$ 1 bilhão em recursos.

Folha de S. Paulo