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Risco de rodízio de água no interior é alto
04/02/2014

 

Campinas, terceira maior cidade do Estado, tem possibilidade de racionamento ainda este mês se não chover até dia 20

 

Na Grande São Paulo, Sabesp espera baixar consumo com desconto na conta para evitar racionamento em abril

LUCAS SAMPAIO
DE CAMPINAS

Em meio à maior estiagem que se tem registro, moradores de cidades do interior paulista como Campinas, Piracicaba, Limeira e Rio Claro estão sob o risco de enfrentar um racionamento de água ainda neste mês.

A mesma situação é vivida em São Carlos e Descalvado, na região de Ribeirão Preto.

Ontem, o volume de água armazenado no sistema Cantareira, que abastece 8 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo e 5,5 milhões na região de Campinas, chegou a 21,4% da capacidade, o menor patamar em uma década.

Em Campinas, a terceira maior cidade paulista, o racionamento é tido como "inevitável" por autoridades locais se não chover nos rios da região até o dia 20.

"Estamos muito preocupados com essa situação", diz o diretor-presidente da Sanasa (empresa de água de Campinas), Arly de Lara Romêo.

"É uma situação equivalente à pior estiagem de todos os tempos, que foi em 1952, no inverno", confirma Francisco Lahoz, secretário-executivo do PCJ (consórcio das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí). "Só que em pleno verão."

Segundo Lahoz, para quem a situação é "extrema", o volume das chuvas está entre 50% e 70% abaixo da média histórica desde setembro. "Estamos pedindo para as pessoas economizarem 50% do consumo", afirma.

O volume do rio Piracicaba tinha ontem apenas 10% da média histórica para fevereiro, e o famoso "véu da noiva" do rio, que chega a transbordar na cheia, era um amontoado de pedras.

"Nunca vi o nível do rio tão baixo", disse Olásio Cardoso, 60, funcionário do aquário da cidade. "Os mais velhos comentam que a última vez que ficou assim foi há 90 anos."

Nos rios Atibaia e Jaguari, que são abastecidos pelo sistema Cantareira e juntos formam o Piracicaba, a situação é semelhante. Ontem, eles estavam com 18% e 33% do volume das médias históricas.

A Sabesp, que administra o Cantareira, anunciou no sábado que vai dar desconto de até 30% aos usuários da região metropolitana de São Paulo que reduzirem o consumo a partir de 20% (em relação aos últimos 12 meses).

Não está prevista, no entanto, a extensão do benefício para Campinas.

Na Grande São Paulo, a concessionária do sistema evita falar em racionamento. Em comunicado veiculado na TV, no entanto, a empresa pede a "colaboração" de moradores contra o desperdício.

Especialistas também afirmam que, se não chover dentro da média histórica em fevereiro e março, um rodízio de água pode ser decretado em abril. A previsões indicam que o tempo continuará seco nas duas primeiras semanas de fevereiro, pelo menos.

Em Sorocaba, falta água em diferentes pontos da cidade, mas o Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) descarta racionamento.

O problema, que começou no início do verão e levou moradores das zonas norte e oeste a bloquearem ruas em protesto, atinge bairros nobres.

"Muita gente está trazendo o cachorro para dar banho aqui porque não tem água em casa", conta Ana Paula Bezerra, funcionária de um pet shop próximo ao bairro Campolim, na zona sul.

O Saae diz que a empresa não consegue repor a água na mesma velocidade de consumo --que aumentou em ao menos 30% devido ao calor.

Segundo a empresa, estão sendo realizadas obras no sistema de bombeamento, o que deve aumentar a capacidade de distribuição. A previsão é que as obras estejam concluídas até fim de março.

O SAAE diz que, até lá, investe para que a falta de água não ocorra "o dia todo" e reforçou o abastecimento nas áreas mais atingidas.

Colaboraram NATÁLIA CANCIAN, de São Paulo, e GABRIELA YAMADA, de Ribeirão Preto

Folha de S. Paulo