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Nível de reservatórios do Centro-Oeste e Sudeste volta a cair
17/02/2014

 

Represas da região estão com apenas 35,5% da capacidade, o nível mais baixo desde 2001

 

Mônica Ciarelli e Wellington Bahnemann - Agência Estado

RIO - O nível dos reservatórios da região Sudeste/Centro-Oeste segue em queda livre. Dados divulgados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que o volume de água armazenada nas duas regiões representa apenas 35,5% da capacidade total dos reservatórios, o nível mais baixo desde 2001. No histórico de dados do órgão, não há informações sobre dias específicos de anos anteriores. Entre os meses janeiro e fevereiro de 2001, contudo, o nível dos reservatórios variou entre 31,41% e 33,45%.

No Nordeste, o nível está em 42,4%, enquanto os reservatórios do Sul operam com 43% da capacidade. A situação mais confortável é a da região Norte, com 72,4% do volume total de água armazenada.

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espacial (INPE), Gilvan Sampaio, pondera que a falta de chuvas em pleno verão se tornará cada vez mais frequente no Brasil nos próximos anos. A razão é o aumento da temperatura em todo o globo terrestre, o que tende a potencializar a intensidade dos eventos climáticos no futuro.

Como o sistema elétrico brasileiro é predominantemente hidroelétrico, o pesquisador chamou atenção para a importância de o setor estar preparado para lidar com as mudanças climáticas.

"Os extremos climáticos serão mais frequentes. Quando chove, chove com maior intensidade. O período seco será mais prolongado e intenso. Essas questões precisam ser incorporadas na operação das hidrelétricas brasileiras", afirmou.

O aumento das temperaturas tem colocado em xeque uma máxima conhecida entre os especialistas em meteorologia, de que no Brasil o verão é chuvoso e o inverno, seco. Em 2014, tem ocorrido o oposto, com o verão extremamente seco. A causa é um bloqueio atmosférico formado por uma massa de ar quente e seca, que tem impedido o avanço das frentes frias causadoras das chuvas.

Sampaio explicou que, normalmente, esse sistema de alta pressão se forma no meio do oceano Atlântico. Porém, essa massa se posicionou mais próxima ao continente desta vez. Além de impedir as chuvas, o sistema de alta pressão se caracteriza por temperaturas elevadas, como pode ser observado nos sucessivos recordes de temperaturas registrados nas principais cidades brasileiras nas últimas semanas, o que tem impulsionado o uso de ar-condicionado.

A ocorrência desse fenômeno gera o aumento da temperatura dos oceanos, intensificando o processo de evaporação. Com isso, nuvens mais profundas são formadas e, uma vez "furado" o bloqueio atmosférico, chuvas mais intensas ocorrem. No fim de semana passado, uma frente fria conseguiu superar a massa de ar quente e seca, ocasionando chuvas no Sul e no Sudeste. Em alguns municípios no interior de São Paulo, as chuvas foram tão fortes que pontos de alagamentos foram registrados, obrigando famílias a deixarem as suas casas.

Contudo, o especialista afirmou que a massa de ar quente e seca voltará a ganhar força nas duas próximas semanas, elevando novamente as temperaturas. "A expectativa é que, em março, o bloqueio atmosférico se dissipe. Mas aí só estará restando um mês de chuvas", afirmou. A falta de chuvas, aliada ao consumo elevado de energia, contribuiu para reduzir significativamente o nível dos reservatórios das hidrelétricas. Os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o maior e mais importante do País, operam com 35,5% da capacidade, menor nível desde 2001.