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Bônus para quem poupar água vai até dezembro
12/03/2014

 

Sabesp anunciou ontem a extensão do prazo para o desconto em conta

 

A ideia é preservar o sistema Cantareira e, dessa forma, garantir o abastecimento ao longo de 2014

ANA KREPP
DE SÃO PAULO

A presidente da Sabesp, Dilma Pena, afirmou ontem que vai ampliar o período de aplicação do desconto de 30% na conta de moradores que conseguirem reduzir o consumo de água.

Concedido a usuários abastecidos pelo sistema Cantareira que conseguirem diminuir em pelo menos 20% o uso médio de água dos últimos 12 meses, o bônus terminaria em setembro. Agora, vai valer até dezembro.

A ideia é preservar o manancial e garantir o abastecimento ao longo de 2014. Ontem, o volume de água armazenada correspondia a 15,8% da capacidade total do reservatório --um dos menores patamares desde a criação do sitema, em 1974.

"Não é um problema de saneamento, mas de crise hídrica. Tivemos um verão sem chuvas, isso é inédito", disse.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que a crise não atingiu todos os reservatórios: "Tem alguns com mais de 90% de água, como é o caso de Cotia e Rio Grande. O problema é localizado no sistema Cantareira".

A hipótese de racionamento não está totalmente descartada. "É uma questão que tem de ser monitorada dia a dia", disse o governador.

Segundo a presidente da Sabesp, desde o anúncio do desconto foram economizados 3,2 m³ de água/segundo, que equivale a 1% da produção diária do sistema.

Desde a última segunda, nove bairros paulistanos deixaram de ser abastecidos pelo Cantareira e passaram a receber água dos sistemas Guarapiranga e Alto Tietê, totalizando 1,6 milhão de usuários.

Dilma também minimizou os ataques feitos pelo consórcio PCJ, que congrega prefeituras, empresas e entidades de mais de 40 cidades na área de influência dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.

O PCJ acusou a Sabesp de não reduzir sua dependência do Cantareira e de atentar contra a vida útil do sistema.

Segundo Dilma, transferências de água de uma bacia para outra existe em "todo o mundo, sempre existiu e sempre vai existir".

Folha de S. Paulo