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Fazenda diz que pode rediscutir a tributação das multinacionais
13/03/2014

 

Regras da MP 627 foram principal tema de encontro de Guido Mantega com grandes grupos

 

Peixe foi principal prato de almoço, pelo qual cada empresário pagará R$ 40; do lado de fora houve 'sardinhada'

DE BRASÍLIA
DE SÃO PAULO

Pressionado durante almoço por empresários, o ministro Guido Mantega (Fazenda) abriu uma brecha para reabrir as conversas sobre as novas regras para tributação de filiais de empresas brasileiras no exterior.

Em reunião com 18 empresários e representantes das maiores empresas do país, Mantega acertou a criação de uma força-tarefa para rediscutir parte das normas que integram a medida provisória 627 --que trata da tributação das filiais de empresas brasileiras no exterior, entre outros temas.

A ideia é incluir o resultado deste acordo em outra medida provisória (MP) em tramitação no Congresso.

Os empresários rejeitaram a proposta inicial do ministro, de editar outra MP, sob o argumento de que ela demoraria a ser aprovada e o setor privado precisa de sua solução imediata para o caso.

Foi praticamente consensual, durante a reunião, a crítica de que a proposta atual tira competitividade das empresas brasileiras, que pagariam mais tributos que os concorrentes internacionais.

Pelo menos um empresário sugeriu ao ministro que a MP fosse retirada do Congresso. Outros pediram modificações no texto.

O ministro da Fazenda disse que era impossível abrir mão do projeto ou suprimir apenas a parte que trata das filiais no exterior.

Por isso, a opção foi pela reabertura das conversas para que sejam feitas alterações posteriores, em troca do apoio dos empresários para aprovar o texto atual.

O acordo provisório com o governo foi divulgado pelo presidente da Vale, Murilo Ferreira, no intervalo entre a reunião sobre a MP e o almoço, em que se discutiu a conjuntura econômica.

Vários empresários demonstraram preocupação com racionamento de energia, que afetaria as expectativas de crescimento, reajustes, que elevariam custos.

O prato principal do almoço foi peixe, ao custo de R$ 40 por pessoa, pagos por participante. O ministro fez questão de dizer, logo no início, que cada um teria de pagar a conta do encontro, que, de bebida, teve apenas água.

Do lado de fora do ministério, a Força Sindical promoveu uma "sardinhada", na qual serviu 40 quilos do peixe e protestou com uma faixa que dizia "Mantega dá banquete para os poderosos e o povo fica na sardinha".

Folha de S. Paulo