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Ato no antigo prédio do DOI-Codi marca os 50 anos do Golpe Militar
01/04/2014

 

Manifesto pediu a transformação do local em um memorial em homenagem às vítimas da ditadura

 

Nesta segunda-feira, 31 de março de 2014, em que se completam 50 anos do golpe que implantou a ditadura militar no Brasil, foi realizado o ato “Ditadura nunca mais - 50 anos do golpe militar”, no prédio que abrigou a Operação Bandeirantes (OBAN), depois Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do II Exército, onde foram torturadas milhares de pessoas e outras dezenas assassinadas.

Organizado pela Comissão estadual da Verdade Rubens Paiva, presidida pelo deputado Adriano Diogo (PT), o ato contou com a presença de centenas de pessoas entre ex-presos políticos, familiares dos desaparecidos e assassinados, políticos do Legislativo e do Executivo, imprensa e populares, que lotaram o pátio da rua Tutoia, 921.

O ponto alto da cerimônia foi a leitura em jogral de manifesto assinado por mais de cem entidades, sob a regência do deputado Adriano Diogo, da assessora da Comissão da Verdade e ex-presa política, Amelinha Teles, e do jornalista Ivan Seixas, ex-preso político e coordenador da comissão. Em seguida, foi lida lista dos nomes dos presos assassinados no prédio: A frase “Vamos lembrar o nome de cada um dos assassinados neste prédio, em memória e homenagem às suas vidas e lutas. Desse modo, reverenciamos e homenageamos suas histórias e papéis de resistentes, a quem tanto deve o Brasil”, precedeu a leitura dos nomes.

Ditadura nunca mais

Cartazes com fotos dos desaparecidos políticos, faixas pedindo a punição dos torturadores e assassinos da ditadura e clamando para que nunca mais haja ditadura, eram em grande número. Logo no início, os presentes emocionaram-se com o áudio de discurso do deputado Rubens Paiva, morto pela repressão, dado à rádio Nacional na madrugada do dia 1º de abril de 1964.

Além de denunciar as mortes e a tortura, a participação do empresariado nacional e estrangeiro na ditadura brasileira, pedir a punição dos torturadores, mandantes e financiadores da estrutura autoritária e atribuir a cultura da morte praticada pelas Polícias Militares nos dias atuais à herança da ditadura militar, um manifesto também pediu a transformação do antigo prédio do DOI-Codi, já tombado pelo Patrimônio Histórico, em um memorial em homenagem às vítimas, aos mortos e aos desaparecidos políticos da ditadura.

No dia 18/3 foi aprovado o Projeto de Decreto Legislativo 6/2012, de autoria do deputado Adriano Diogo (PT), que revogou a permissão de uso do imóvel, dada pelo governo do Estado ao Ministério do Exército. “A transformação dele em memorial deve ser um desejo do povo; somente com a pressão popular conseguiremos sua concretização”, afirmou Adriano Diogo, que foi preso e torturado no local. “Ainda passo muito mal ao vir aqui”, revelou o deputado.

Para o prefeito Fernando Haddad, que compareceu ao ato, os 50 anos do golpe marcam um período em que o direito mais básico do povo lhe foi retirado: o voto. “É muito importante preservar a memória de tudo o que aconteceu para que nunca mais se repita”, declarou.

A cerimônia continuou por toda a manhã com a apresentação de grupos populares de teatro, música e dança.

DOE, Legislativo, 01/04/2014, p. 5