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Relatório do IPCC aponta risco de aquecimento superior aos 2°C
07/04/2014

 

O relatório mostra que as temperaturas já subiram 0,8°C desde 1900 e que, na tendência atual, há riscos de romper os 2°C nas próximas décadas.

 

Reuters

As potências mundiais estão ficando sem tempo para reduzir o uso de combustíveis fósseis altamente poluentes e ficar abaixo dos limites acordados sobre o aquecimento global, segundo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que será aprovado esta semana.

Entre esta segunda-feira, 7, e sábado, 12, líderes governamentais e cientistas se reúnem em Berlim, na Alemanha, para rever o relatório de 29 páginas, que também estima o custo das mudanças necessárias para a implementação de formas de energia renováveis: entre 2% e 6% da produção mundial em 2050.

Isso quer dizer que os países terão que impor restrições drásticas a emissão de gases de efeito estufa (que continuam a aumentar) para manter a promessa feita por quase 200 países em 2010 que limita o aquecimento global para menos de 2°C acima da temperatura pré-revolução industrial.

O relatório mostra que as temperaturas já subiram 0,8°C desde 1900 e que, na tendência atual, há riscos de romper os 2°C nas próximas décadas.

"O cerco está fechando rapidamente sobre os 2°C, que são o alvo", disse Johan Rockstrom, especialista em ondas de calor, inundações, secas e chefe do Stockholm Resilience. "Talvez possamos adaptar os 2°C para 3°C ou 4°C" acrescentou Rockstrom , que não está entre os autores do estudo.

De acordo com o relatório da ONU, esses aumentos poderiam por em risco o abastecimento de água e comida no planeta e provocar danos irreversíveis como, por exemplo, o derretimento do gelo da Groenlândia.

O estudo delineia maneiras de reduzir as emissões de carbono e aumentar o uso de energias renováveis como, por exemplo, a energia eólica e solar. O relatório também revela que as energias de baixo carbono foram responsáveis por 17% do fornecimento de energia do mundo em 2010. Esse número tem de triplicar - para 51% - ou quadruplicar até 2050, para a maioria dos cenários analisados.

O Estado de S. Paulo