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Alckmin mantém procurador de Justiça
08/04/2014

 

Márcio Elias Rosa foi reconduzido ontem ao cargo depois de vencer, no sábado, a eleição do Ministério Público paulista

 

Entre os casos que o órgão terá de apurar neste ano está o cartel dos trens, que envolve a gestão tucana em SP

FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO

O procurador de Justiça Márcio Elias Rosa foi escolhido pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) para chefiar o Ministério Público estadual por mais dois anos.

Vencedor da eleição interna da instituição contra o procurador de Justiça Luiz Antonio Guimarães Marrey, Elias Rosa teve seu nome chancelado ontem pelo governador.

No processo sucessório deste ano, Alckmin respeitou a tradição de apontar para o cargo de procurador-geral de Justiça o candidato mais votado pelos promotores e procuradores de São Paulo.

De acordo com a lei, o chefe do Executivo paulista pode escolher para o posto máximo do Ministério Público qualquer um dos três mais votados no pleito interno da instituição. Neste ano, porém, somente Elias Rosa e Marrey registraram candidaturas.

Na eleição anterior, realizada em 2012, Elias Rosa havia sido superado pelo candidato Felipe Locke, mas mesmo assim foi conduzido ao cargo pelo governador.

No pleito, realizado no último sábado, Elias Rosa obteve 1.095 votos no colégio eleitoral formado por promotores e procuradores, contra 791 votos de Marrey.

O governador ligou à tarde para o procurador-geral para comunicar sua decisão. "Renovei a ele [Alckmin] o compromisso de servir ao Ministério Público e à sociedade paulista com a mesma independência que exerci o primeiro mandato. Ele me parabenizou e desejou sucesso", disse Elias Rosa.

"Minha responsabilidade agora aumentou na medida em que houve uma votação histórica de aprovação ao mandato e ao projeto de gestão defendido", completou.

APURAÇÕES DE CARTEL

O escolhido de Alckmin vai comandar o maior Ministério Público estadual do país, com orçamento anual de R$ 1,7 bilhão e quadro de pessoal com 1.708 promotores, 297 procuradores e 5.454 servidores.

A instituição atualmente é responsável por investigar a participação de políticos e funcionários públicos em esquemas de corrupção e cartel em licitações de trens no Estado de 1998 a 2013, nas administrações de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB.

Cabe ao procurador-geral cuidar de alguns tipos de ações judiciais de foro privilegiado contra políticos.

O chefe do Ministério Público estadual é o titular das apurações e processos de improbidade administrativa contra o governador e ex-governadores e das investigações e causas criminais contra deputados e prefeitos.

Folha de S. Paulo