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Novas tecnologias e acessibilidade na Reatech
12/04/2014

 

O Túnel Sensorial foi uma das atrações que mais chamaram a atenção do público na Feira Internacional de Reabilitação, Inclusão, Acessibilidade e Paradesporto (Reatech), que deve receber cerca de 50 mil visitantes no Centro de Exposições Imigrantes até seu encerramento no domingo, 13. Com entrada gratuita, a 13ª edição da maior feira do setor da América Latina exibe novidades de 300 expositores, além de shows, desfiles, atividades culturais, oficinas e palestras.

Projetado pela Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o túnel dispõe de oito cenários. Neles, o visitante (deficiente visual ou alguém com os olhos vendados, guiados por monitores cegos) experimenta ouvir, cheirar, tocar. Com expectativa, Dulce Evangelista aguarda sua vez de percorrer os 169 metros quadrados do ambiente sem luz. A privação do uso da visão serve para estimular os demais sentidos. Curiosa com a novidade, Dulce diz não conseguir imaginar “o que vai ter lá dentro, mas acho que é coisa importante”.

A intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) explica o funcionamento do passeio e o que será mostrado no percurso. Dulce conta que até os 5 anos, enxergava tudo. Uma queda do colo da avó lhe tirou a visão gradativamente. “Desde os 10 anos, parei de enxergar com os olhos.”

Aguçar os sentidos – Markiano Charan Filho, um dos seis guias, diz“que usando os outros sentidos dá para saber o que ocorre”. Alunas do Colégio Oliveira Telles, Bárbara Santana, Ana Campanella e Gabriela Evangelista dizem ter passado pela sensação de desproteção, dependência e impotência. “E ninguém quer se sentir assim!”, salienta Gabriela.

Bárbara diz ter ficado “assustada, no início, parecia que nem sabia andar. Tentar enxergar e não conseguir é horrível!” Passada a estranheza, percebeu tecidos, flores, plantas e ouviu sons de relógio. Ana relata sua vivência: “Toquei num ursinho de pelúcia, senti aroma de lavanda e caramelo e aprimorei meus sentidos.”

Selo acessível – No evento, foi lançado o Selo Acessibilidade Comunicacional. Ele vai indicar a instituição, o produto ou o serviço que possibilitem à pessoa com deficiência usufruir bens culturais como os demais cidadãos. Por exemplo, o público com deficiência visual poderá assistir a uma peça teatral com audiodescrição ou apreciar uma exposição se houver legenda e material informativo em braile.

Elaborado pela parceria entre as secretarias de Cultura e dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o selo “identificará as boas práticas”, informa o assessor de gêneros e etnia da Secretaria da Cultura, Cássio Rodrigo. Os equipamentos culturais do Estado serão os primeiros a receber o selo; depois ele deverá chegar à iniciativa privada. A Secretaria da Educação também expôs alguns equipamentos pedagógicos usados em sala de aula, como, por exemplo, o scanner de voz.

Cura pelo esporte – O paradesporto ganhou espaço no estande da Rede de Reabilitação Lucy Montoro. Uma mesa de pingue-pongue (com bolas e raquetes iguais às usuais) foi instalada para mostrar que o esporte contribui para a reabilitação, pois “traz mobilidade, coordenação motora, controle do tronco e ganho de movimento”, conforme explica o coordenador de condicionamento físico da instituição, Vinícius Pinto.

Bocha, tênis de mesa, basquete e halterofilismo são as modalidades oferecidas em algumas das 14 unidades da rede. Em breve, mais quatro serão inauguradas: Marília, Botucatu, Vale do Ribeira e Santos. O Centro Paralímpico Brasileiro para treinar atletas de alto rendimento deverá ficar pronto no começo de 2015.

Na quadra de basquete, a disputa para entrar em jogo era intensa. Na corrida de cadeira de rodas, Mateus Kzeiha e Jacqueline Mayumi fazem bonito. “Queria saber como é a vida dos cadeirantes”, disse Mateus. “Faz manobras muito rápidas”, compara Jacqueline. Na ala dos radicais, Ivan Fontenelle, 6 anos, deslizou sobre quatro rodinhas com um grande sorriso no rosto. “Ele não tem medo; e eu quero que ele seja feliz”, diz a mãe, Mônica Benenuto, enquanto acompanha as manobras.

Emprego e test drive – O estande da Fundação Dorina Nowill também atraiu o público, ao mostrar a vivência de ser atendido com os olhos vendados num “restaurante” e por um garçom que não explica nada ao anotar o pedido e trazer a refeição. “Cardápio em braile é lei municipal, mas preparar pessoas com recursos de acessibilidade (levar até a cadeira, falar onde pôr o copo) para atender é mais difícil”, comenta a gerente da instituição, Sara Maluf.

O visitante em busca de emprego pode entregar seu currículo, conferir vagas disponíveis. Empresas também podem se cadastrar. “A novidade deste ano são os cursos de inglês e espanhol”, informa Marinalva Cruz, coordenadora do Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência, da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (SERT). O visitante também pode fazer um test drive de veículos adaptados, vendidos com isenção de ICMS em São Paulo.

DOE, Executivo I, 12/04/2014, p. I