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Aneel divulga custo de luz acima do previsto pelo setor
23/04/2014

 

Distribuidoras precisam de R$ 4,7 bi para cobrir gastos extras em fevereiro

 

Montante supera em 17,5% o estimado e terá que ser financiado com empréstimos bancários, ainda em negociação

JÚLIA BORBA
DE BRASÍLIA

O gasto das empresas de distribuição --que levam energia até a casa do consumidor-- chegou a R$ 4,7 bilhões em fevereiro, de acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

O número supera em 17,5% as estimativas do setor e indica que pode haver necessidade de novos empréstimos para o setor, principalmente se o leilão programado para o dia 30 não suprir toda a necessidade das distribuidoras.

Os R$ 4,7 bilhões de custo extra de fevereiro serão bancados com empréstimos bancários, que devem ser repassados à tarifa de luz dos consumidores a partir de 2015.

O setor ainda não fechou, no entanto, os acordos com os bancos para esses empréstimos. Não se sabe, por exemplo, qual será a taxa de juros nem qual o reajuste de tarifa que será oferecido como garantia (veja quadro ao lado).

A operação foi planejada e intermediada pelo governo, que limitou a ajuda às empresas em R$ 11,2 bilhões, para cobrir gastos feitos de fevereiro a dezembro deste ano.

Caso o gasto seja maior, um novo acordo com bancos deverá ser feito.

TARIFAS

O montante representa as despesas com a compra de energia e o uso de usinas térmicas no segundo mês do ano, e deverá ser coberto por meio de empréstimos bancários, já que o governo tenta segurar repasses às tarifas dos custos extras deste ano.

O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, afirma que, com o passar do tempo, o valor necessário para que as distribuidoras quitem as dívidas mensais irá diminuir.

Isso porque as empresas podem firmar contratos mais baratos para suprir parte de sua demanda, principalmente por meio do leilão previsto para 30 de abril.

Esse pregão contratará energia em caráter emergencial, por meio de acordos de longo prazo --cerca de cinco anos. Se for bem-sucedido, as empresas poderão trocar contratar por curtos períodos por preços mais altos, como os que vem sendo feitos no momento, por outros mais baratos e de mais longo prazo.

O diretor aposta em uma redução do preço da energia também no curto prazo. Desde o início do ano, os preços estão pressionados pela falta de chuvas e necessidade de usar usinas térmicas.

CESP, CEMIG E COPEL

Romeu Rufino defende que o tamanho do rombo no setor elétrico se deve, em parte, à não adesão das usinas da Cesp, Cemig e Copel à renovação dos contratos de concessão.

A renovação antecipada das concessões foi proposta pela presidente Dilma Rousseff em setembro de 2012.

O acordo estava condicionado à aplicação de uma tarifa menor pelas empresas, para que o desconto médio de 20% para o consumidor pudesse ser viabilizado.

Como as três companhias não aceitaram a proposta do governo para renovar seus contratos de concessão, elas não ficaram obrigadas a baixar o preço nem a entregar parte de sua geração às distribuidoras. Assim, elas podem comercializar sua energia livremente com grandes empresas e indústrias, em contratos mais rentáveis, o que reduziu a oferta de energia para as distribuidoras.

"Se todas tivessem aderido a gente não teria esse patamar de exposição [necessidade de compra de energia pelas distribuidoras]", disse.

Folha de S. Paulo