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O crime monitorado
24/04/2014

 

O Estado de São Paulo ganhou um sistema inteligente de monitoramento de crimes. É o Detecta. A ferramenta de tecnologia de ponta ajudará no patrulhamento, investigação, planejamento de combate a crimes e identificação dos padrões de delitos em cada localidade.

O Detecta será aprimorado para ser idêntico ao da polícia de Nova York, onde opera há sete anos. O sistema foi desenvolvido pela Microsoft em parceria com a polícia da cidade. Idealizado para ações de contraterrorismo na cidade norte-americana, passou, também, a ser útil contra outros tipos de crimes. É a primeira vez que será utilizado fora de Nova York, pela Secretaria da Segurança Pública.

Alarmes – Com o Detecta, serão emitidos alarmes automáticos para ajudar no trabalho da polícia. Policiais militares e civis poderão receber informações de inteligência sem que seja necessário operar o sistema a todo momento. No caso de um suspeito fugir em um carro vermelho, do qual só se sabe parte do número da placa, com apenas esse detalhe o sistema pode ser configurado para localizar todos os veículos com aquele número parcial, da mesma cor, e apresentar essas localizações em um mapa. Além disso, a viatura mais próxima será alertada sobre a ocorrência. Essas localizações podem ser feitas por sensores de leitura de placas ou por câmeras que também têm essa capacidade.

Outro exemplo é o caso de uma pessoa procurada pela polícia. Toda vez que as características dela forem inseridas em algum dos sistemas das polícias, um alerta será acionado e será mostrado o histórico do procurado.

Agilidade – As investigações também ganharão agilidade no acesso e no cruzamento de informações. Será possível, por exemplo, fazer buscas de um determinado nome e localizar em um mapa todas as ocorrências relacionadas a ele – seja na Polícia Militar, na Civil ou no Detran.

Outra possibilidade é que seja emitido um alerta sempre que for registrado um crime com as mesmas características de outro que já está sendo investigado – mesmo em regiões ou cidades diferentes.

Um veículo que tenha passado nas proximidades de onde ocorreram roubos, com dias ou semanas de diferença, deve passar a ser acompanhado pelo sistema. Isso pode ser feito mesmo que as vítimas não tenham reparado no veículo, mas os leitores de placa o tenham identificado no local.

Planejamento – A nova etapa do Detecta contribuirá ainda com o planejamento das ações policiais, que permitirão a identificação de padrões de crimes praticados em cada região a partir dos registros realizados. Será possível saber com precisão datas, horários e locais mais ocorrem determinados crimes em cada região, além de possíveis migrações ou mudança de atuação da criminalidade.

Integração – Essas informações já existem e estão à disposição. E, com o sistema inteligente de monitoramento, serão apresentadas de forma automática e rápida para diminuir o tempo de resposta das polícias.

A previsão é que o sistema comece a operar em quatro meses e esteja completamente em funcionamento em janeiro de 2015. Neste intervalo, serão integrados, gradativamente, todos os bancos de dados do Estado: do 190; dos boletins de ocorrência das polícias Militar e Civil; e do Detran.

A nova etapa do Detecta chega a São Paulo com alertas para dez mil padrões de crimes desenvolvidos durante a experiência em Nova York. Esses alertas podem ser alterados, modificados para a realidade brasileira, além de serem adicionados novos alertas.

Sistema – Haverá três centrais com o sistema em telões (video wall): Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), Centro de Comunicações e Operações da Polícia Civil (Cepol) e Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública do Estado de São Paulo (Ciisp).

O sistema poderá ser utilizado em computadores, notebooks, tablets e smartphones. A inovação integra todas as informações criminais à disposição, além de outros dados importantes para o trabalho policial: chamadas para o 190 (PM) e 193 (Bombeiros), boletins de ocorrência, Infocrim, Ragisp (Relatório Analítico Gerencial de Inteligência de Segurança Pública), Copom Online – usado pela PM para localizar ocorrências – , sistemas de videomonitoramento, mandados de prisão, leitores automáticos de placas, lista de veículos roubados e furtados, cadastros de carteiras de identidade e de motorista.

DOE, Executivo I, 24/04/2014, p. II