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Haddad já cortou mil servidores em SP
05/05/2014

 

Em dificuldade financeira, prefeitura reforça redução de gastos com empresas municipais como SPTrans e CET

 

Prefeito tenta recuperar capacidade da cidade para investir, abalada por derrotas como a que barrou alta do IPTU

ARTUR RODRIGUES
DE SÃO PAULO

Em dificuldades financeiras, a gestão Fernando Haddad (PT) vem promovendo o enxugamento na chamada administração indireta, que inclui empresas públicas e autarquias municipais.

As medidas de austeridade, só agora divulgadas, incluem o corte de cerca de mil funcionários, redução do gasto com salários de diretores e a adoção de metas similares a de empresas privadas.

Atualmente, de cada R$ 10 arrecadados pela prefeitura, R$ 3 vão para a administração indireta, que abriga órgãos importantes como Cohab (companhia de habitação), SPTrans (empresa de transportes), CET (companhia de tráfego) e SPObras.

Segundo a Secretaria de Finanças, a economia entre maio de 2013 e deste ano chegou a R$ 59 milhões. A meta é economizar ao todo R$ 190 milhões até 2016.

A Cohab, reduto do PP do ex-prefeito Paulo Maluf, teve um dos maiores cortes de pessoal: 19,3%.

No ano que antecedeu a Copa do Mundo, até a SPTuris (empresa de turismo) teve de desinchar, cortando 3% com funcionários e 5,5% com custos em geral.

Os presidentes e diretores das empresas e autarquias tiveram o salário padronizado. O regime CLT para eles foi extinto, com objetivo de cortar encargos. O teto permanece em R$ 19 mil, com dois salários e meio ao fim do ano a título de bônus.

Além do corte de altos salários, os órgãos também deixaram de repor as vagas de aposentados.

A gestão também criou um comitê para acompanhar metas operacionais e financeiras das empresas.

A cidade tem dez empresas públicas, cinco autarquias e uma fundação (Fundação Theatro Municipal).

O pacote de austeridade é mais uma tentativa de Haddad de liberar verba para investimentos.

Após ter o reajuste do IPTU barrado pela Justiça, o que reduziu a expectativa de arrecadação em R$ 800 milhões em 2014, a prefeitura passou a ter problemas até para conseguir as contrapartidas necessárias para receber os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal.

A cidade corre o risco de perder R$ 4,2 bilhões em investimentos.

Folha de S. Paulo