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Bilhete Mensal de Haddad só atinge 4% do previsto
07/05/2014

 

Em abril, 33 mil usaram o cartão; prefeitura estimava público-alvo em 862 mil

 

Preço elevado e baixa adesão de empresas podem explicar pouco interesse; município diz que é cedo para avaliar

ANDRÉ MONTEIRO
DE SÃO PAULO

Uma das primeiras promessas de campanha cumpridas pela gestão Fernando Haddad (PT), o Bilhete Único Mensal é pouco usado por quem anda de transporte coletivo em São Paulo.

O cartão, que permite uso livre de ônibus, metrô ou trem por um mês a um preço fixo, começou em novembro. Em abril, ele foi usado por quase 33 mil passageiros, mostra balanço obtido pela Folha via Lei de Acesso à Informação e complementado pela SPTrans.

Isso representa 4% do que a prefeitura estimava atingir.

Em novembro, Haddad disse que 862 mil usuários já gastavam mais comprando bilhetes individuais do que as tarifas mensais e que esse seria o público-alvo do programa.

À época, o prefeito enfatizou ainda que o cálculo era "conservador", pois não incluía, por exemplo, quem deixava de fazer mais viagens por falta de dinheiro.

Agora, a prefeitura diz que ainda é cedo para avaliar.

O crédito mensal custa R$ 140 para uso só de ônibus ou só metrô/trem e R$ 230 para o uso integrado. Estudantes pagam R$ 70 (ônibus ou trilhos) e R$ 140 (integrado).

Dessa forma, o modo mensal compensa para quem faz mais de 46 viagens/mês usando um único meio ou 49 integradas. Quem só vai e volta do trabalho, por exemplo, geralmente faz 44 viagens/mês.

PÚBLICO GERAL

Se o cartão mensal atingiu pequena parte do público-alvo, seu uso em relação ao total de usuários do Bilhete Único tradicional --que permite viagens integradas num período de até três horas-- é ainda menor: 1%. Esses passageiros somam cerca de 5 milhões.

Apesar de ainda restrito a uma pequena parcela, a adesão ao programa vem crescendo. Desde janeiro, o aumento de usuários foi de 275%.

A modalidade semanal, que faz parte da meta de Haddad e começou em 5 de abril, foi comprada 1.617 vezes no mês. A tarifa é de R$ 38 (ônibus ou trilhos) ou R$ 60 (integrada).

PREÇO

O baixo interesse pelo cartão mensal pode ser explicado pelo preço. Em metrópoles com programas semelhantes, as tarifas são mais vantajosas --em Londres, por exemplo, elas compensam para quem faz a partir de 25 viagens/mês.

Segundo passageiros ouvidos pela Folha, outro empecilho financeiro, principalmente para trabalhadores informais, é ter que fazer o pagamento de uma só vez em vez de comprar a cada viagem.

Também há dificuldade para trabalhadores do mercado formal, que recebem vale-transporte. Como o benefício é pago pelo empregador, é ele quem precisa decidir se adere ou não à tarifa mensal.

Dos bilhetes mensais de abril, só 3% foram do tipo vale-transporte. A estimativa da prefeitura era que atingissem 63% dos usuários mensais.

No lançamento do programa, Haddad e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disseram que contavam com a adesão das empresas --e da pressão de sindicatos para reivindicar o benefício.

"Vai ser um sucesso no caso do vale-transporte. De uma parte, não vai custar nada ao empregador e ele vai estar dando um benefício. De outra, os sindicatos vão pressionar para que empregadores comprem", disse Alckmin, ao formalizar a adesão do Estado.

"Você vai se surpreender com a adesão. Posso garantir", afirmou Haddad.

Parte dos usuários também reclama do procedimento para obter o cartão e pela recarga do crédito mensal não estar disponível em todas as máquinas de atendimento.

Para ter o cartão, é necessário preencher cadastro pela internet, com foto, esperar aviso por e-mail e ir buscá-lo em um posto da SPTrans.

Colaborou GUILHERME MAGALHÃES

Folha de S. Paulo