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Unidos contra a violência
22/05/2014

 

O Conselho Estadual da Condição Feminina (CECF) lançou, no dia 20, na capital paulista, a campanha Quebrando o Silêncio – Vamos ganhar este jogo! O objetivo da ação é coibir o crescimento da violência contra a mulher e o tráfico de pessoas durante os jogos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. “Sabemos que, quando há jogos, os homens ingerem mais bebida alcoólica e, consequentemente, agridem mais suas companheiras. Daí a importância de uma campanha que também serve como alerta e estímulo à denúncia por meio da divulgação do telefone 181”, ressalta Sandra Andreoni, vice-presidente do CECF.

Dados do Banco Mundial indicam que mais de 700 milhões de mulheres são vítimas de violência de gênero no mundo. No Brasil, embora muitos avanços tenham sido alcançados com a Lei Maria da Penha, nº 11.340/2006, ainda assim ocorrem 4,4 assassinatos para cada 100 mil mulheres, “número que coloca o Brasil em 7º lugar no ranking de países nesse tipo de crime. Precisamos reverter essa situação”, salienta Aparecida Maria Prado, conselheira do CECF.

Entre 2005 e 2011, um terço dos indiciados por tráfico de pessoas no País foi pego em região de fronteira. Dos 384 indiciamentos, 128 foram registrados na fronteira brasileira, que abrange 15,7 mil quilômetros em 11 Estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia e Santa Catarina. As informações foram retiradas do Diagnóstico sobre Tráfico de Pessoas nas Áreas de Fronteira, lançado em outubro de 2013 pelo governo federal.

A maioria das vítimas é formada por mulheres entre 18 e 29 anos. Além dessas, fazem parte do grupo crianças e adolescentes, travestis e transgêneros geralmente em situação de vulnerabilidade, seja pelas condições socioeconômicas, seja por conflitos familiares, seja pela violência sofrida na família de origem. Em geral, o aliciamento é feito por alguém próximo à família.

Sandra diz que o tráfico de pessoas e a violência doméstica são unidos por uma linha tênue, daí a importância de se falar sobre esses assuntos em uma mesma campanha. “Muitas mulheres jovens são vítimas do tráfico de pessoas e, consequentemente, sofrem abusos de todos os tipos, inclusive físicos, pagando, muitas vezes, com a própria vida.”

Abraçando a causa – Durante todo o período da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 e nos meses seguintes serão distribuídos 20 mil cartazes, em inglês e português, em todo o Estado de São Paulo, especialmente em locais estratégicos de grande visibilidade e circulação de público – estações do Metrô, aeroportos, salões de beleza, restaurantes, bares, hotéis, Conselhos Municipais da Mulher, subseções da OAB-SP, prefeituras e unidades da Igreja Adventista do Estado de São Paulo. “Estamos conversando com o Sindicato dos Taxistas Autônomos do Estado de São Paulo para, também, aderir à campanha”, informou a vice-presidente do CECF.

Kátia Boulos, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-SP, fala sobre a importância da conscientização da mulher vítima da violência doméstica e de indivíduos que têm conhecimento sobre a rede de tráfico de pessoas. “É preciso juntarmos forças para ajudar esta mulher fragilizada, que perdeu ‘a voz’ por causa do medo.”

Denise Valença, 24 anos, executiva de contas, abraçou a iniciativa. “Quando recebi o convite para ser modelo da campanha, aceitei de imediato. Testemunhei agressões de diversas amigas e não posso concordar com essa situação.”

DOE, Executivo I, 22/05/2014, p. III