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Governo deve elevar mistura de biodiesel no óleo diesel em julho
25/05/2014

 

Com isso, Petrobras poderá reduzir importação de combustível

 

DE BRASÍLIA

O governo deve publicar nesta semana uma medida provisória elevando de 5% para 6%, em julho, a mistura do biodiesel ao óleo diesel vendido nas bombas, afirmam congressistas que participam das negociações com a equipe econômica e o Palácio do Planalto. Segundo eles, o percentual deve atingir 7% até novembro.

A expectativa dos parlamentares é que a MP seja publicada na quinta-feira (29), quando a presidente Dilma Rousseff pode fazer uma cerimônia para anunciar o aumento do percentual.

A mudança é esperada por produtores de biodiesel e pela Petrobras após mais de três anos de negociações com o governo. A informação sobre a medida foi publicada na edição de sábado (24) do jornal "O Globo".

IMPORTAÇÕES

Com o aumento para 7%, a Petrobras reduz as importações de diesel fóssil e deve economizar cerca de R$ 2,3 bilhões, segundo a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

A estimativa considera o volume de diesel importado no ano passado e a taxa de câmbio média em 2013 (entre R$ 2,30 e R$ 2,35).

Se for incluído na conta um possível aumento de consumo neste ano e o dólar mais recente (em torno de R$ 2,40), o impacto poderia ser ainda melhor para o caixa.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o Brasil importou o equivalente a US$ 8,3 bilhões em óleo diesel no ano passado, com alta de 24% em relação a 2012.

Os produtores de biodiesel reclamam que o setor trabalha com sua capacidade ociosa porque não houve o prometido aumento do percentual depois do boom na produção --provocado pelo lançamento do Programa Nacional de Biodiesel, durante o governo Lula.

O plano tinha como previsão aumentar a mistura obrigatória ao longo dos anos. Em 2008, ela foi instituída em 2%, subiu para 5% em 2010 e, depois disso, não sofreu mudanças.

"O aumento da mistura evita maior fechamento das indústrias. Isso dá um fôlego para aquelas que estão funcionando", disse o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel da Câmara.

(GABRIELA GUERREIRO)

Folha de S. Paulo