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Derrubada da mata atlântica cresce 9%
27/05/2014

 

Em um ano, área desmatada subiu quase 2.000 hectares; MG e PI devastaram mais; SP e RJ mantêm seus índices baixos

 

Levantamento feito pela ONG SOS Mata Atlântica e pelo Inpe mostra que só existe 8,5% de mata original

EDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO

Foram 24 mil campos de futebol que desapareceram em um ano. A destruição da mata atlântica continua subindo, segundo dados da ONG SOS Mata Atlântica e do Inpe, que serão divulgados hoje em São Paulo.

Na comparação entre 2012 e 2013, a derrubada da floresta rica em biodiversidade cresceu 9%. Desde 2008, o acompanhamento anual do desmatamento da floresta atlântica não registrava índices tão elevados.

Com mais essa quantidade grande de árvores ceifadas, o que resta agora da mata atlântica equivale a 8,5% da cobertura original deste bioma, que ocupava, antes do descobrimento, uma extensa área no litoral do país, desde a região Sul até o Nordeste.

Neste valor estão inclusos apenas os fragmentos florestais com mais de 100 hectares. Se forem contados os pedaços menores de floresta, o índice sobe para 12,5%.

Em 28 anos, desde que começou o monitoramento detalhado do sumiço da mata atlântica, o bioma perdeu uma área igual a 12 vezes o município de São Paulo.

"A situação não pode ser considerada boa, ainda mais depois da entrada em vigor do Código Florestal há dois anos", diz Márcia Hirota, diretora-executiva da SOS Mata Atlântica, em alusão a lei que define quanto é permitido desmatar em cada bioma.

Enquanto os ambientalistas diziam que a lei estava afrouxando o controle do desmatamento ambiental, o grupo que defendia a lei, representado por deputados ruralistas, dizia o contrário.

Para eles, a lei, mais simplificada e precisa, facilitará o controle do desmate em todos os biomas. Na Amazônia, porém, o desmatamento, que vinha caindo na última década, subiu 28% no último ano analisado, antes mesmo de a lei ser regulamentada.

Na análise por Estado, o levantamento divulgado nesta terça (27) mostra que Minas Gerais, mais uma vez, é o Estado que mais tem acabado com a sua vegetação típica da mata atlântica.

"Mas é preciso dizer que eles estão fazendo um esforço grande, principalmente por causa da atuação do Ministério Público local. E os índices caíram nos últimos anos", diz Hirota. Entre 2012 e 2013, a derrubada da mata atlântica mineira caiu 22%, apesar de ainda ser alta.

EFEITO FORMIGUINHA

Apesar de São Paulo e do Rio de Janeiro aparecerem com bons números no ranking estadual de desmatamento, existem ressalvas a serem feitas, segundo Hirota.

Nesses locais, existe o chamado efeito formiguinha. "O desmatamento começa pequeno e, quando aparece para gente, ele já destruiu uma parte importante de floresta".

O mapeamento do desmatamento, feito por satélite, flagra destruições só acima dos três hectares. "Nesses Estados, como dizem muitos com uma certa razão, quase tudo já foi destruído", diz a representante da ONG.

No caso do Piauí, a expansão de culturas como a soja são as principais responsáveis pela perda da floresta. Além disso, segundo Hirota, o Piauí também não reconhece que a floresta desmatada faz parte da mata atlântica. Por isso, a lei que dá proteção ao bioma não precisaria ser seguida naquele Estado. O aumento no desmate ali foi de 150% entre 2012 e 2013.

Folha de S. Paulo